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O mês não fecha: o drama do sergipano endividado

Em Sergipe, o dia começa cedo e termina tarde, mas o dinheiro insiste em acabar antes. O sergipano acorda, enfrenta ônibus cheio, combustível caro, prestação da moto e um salário que encolhe conforme o mês avança. Não é exagero retórico. É conta simples. O custo de vida corre, a renda tropeça e o boleto chega pontual. Aqui, o debate não é macroeconomia. É como fechar a feira sem deixar nada essencial para trás.

Os números confirmam o que a rua já sabe. Quase metade da população adulta do Estado está inadimplente. Em termos práticos, significa que, a cada dois sergipanos com CPF ativo, um está renegociando dívida com banco, loja ou concessionária. Sergipe não foge da curva nacional. Está colado nela. O Brasil inteiro vive endividado, e o estado segue no mesmo barco, só que com menos margem para erro.

A dívida média não financia luxo. Não compra viagem nem conforto. Compra sobrevivência. É cartão para pagar supermercado, empréstimo para segurar a conta de luz, parcelamento para garantir remédio. O crédito virou substituto de renda. A renegociação virou esperança. Quando surge um programa para limpar o nome, o sergipano responde. Não por gosto, mas por necessidade. O povo quer pagar. Quer regularizar. Quer voltar a dormir sem o aviso do aplicativo bancário.

Há, sim, um ponto positivo. A disposição para negociar mostra responsabilidade e desejo de sair do sufoco. Mas ela também expõe o problema central. Quando muita gente precisa renegociar ao mesmo tempo, a falha não é individual. É estrutural. Viver devendo virou normal. Estar com tudo em dia virou exceção.

Enquanto isso, o governo federal segue celebrando indicadores e discursos bem alinhados. Fala-se em crescimento, em estabilidade, em retomada. No cotidiano sergipano, a realidade é outra. Comércio sobrevivendo de crediário digital, famílias escolhendo qual conta atrasar, trabalhador pagando imposto embutido até no pão francês e ouvindo que precisa ter paciência.

O Estado aperta. O bolso cede. Mais impostos indiretos, mais custos escondidos, menos fôlego. Governa-se por narrativa, quando o que falta é alívio concreto. Gráfico não paga feira, discurso não enche tanque e promessa não resolve o mês de quem trabalha o tempo todo para ver o salário desaparecer antes do dia 20.

Sergipe é pequeno no mapa, mas grande na resistência. O problema é que resistência tem limite. Quando quase metade dos adultos está inadimplente, não dá para tratar como falha individual. É sintoma de um modelo que arrecada rápido e devolve devagar. Que cobra como país rico e entrega como se fosse pobre.

No fim, a conclusão é direta. Sergipe virou um retrato fiel do Brasil endividado. Aqui, a política fala de futuro enquanto o povo negocia o passado. E quando o governo não entende o tempo real da vida das pessoas, quem governa de verdade é o vencimento do boleto.

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