A análise feita pelo jornalista Cleo Menezes foi certeira ao expor o tamanho do incêndio político provocado pelo deputado estadual Jorginho Araújo no Centro Sul sergipano. Embora o parlamentar não tenha pronunciado nomes, o recado foi interpretado como dirigido ao prefeito de Estância, André Graça, uma liderança respeitada, bom administrador e aliado importante do governador Fábio Mitidieri. Jorginho não entrou em território adversário. Resolveu bater de frente com gente do próprio agrupamento, como quem chega à sala de casa chutando as cadeiras e depois pergunta por que a família ficou incomodada.
Segundo Cleo Menezes, a ofensiva não teria parado em André Graça. Também teria alcançado o deputado Pato Maravilha, integrantes do grupo dos Maravilhas e outras lideranças do Centro Sul. O jornalista relatou ainda a existência de uma estrutura digital ligada ao gabinete de Jorginho, supostamente utilizada para intimidar, distribuir pautas e estimular ataques. São acusações graves, apresentadas publicamente pelo radialista, que afirmou possuir meios para prová-las. Diante disso, o deputado precisa responder com fatos, não com silêncio, recados indiretos ou telefonemas de bastidor.
Depois que virou uma espécie de primeiro cavaleiro de Umbaúba, Jorginho parece ter concluído que toda a região deveria marchar atrás do seu cavalo. Só esqueceu que o Centro Sul não tem dono, porteira nem escritura política registrada em nome de deputado algum. André Graça possui sua liderança em Estância. Os Maravilhas têm presença e história política. Outros prefeitos, vereadores e agrupamentos também carregam votos e serviços prestados. Chegar exigindo alinhamento, desafiando aliados e tentando demarcar território na base da pressão é confundir liderança com intimidação e articulação com imposição.
A situação se torna ainda mais delicada porque Jorginho é apontado como um dos homens de confiança do governador Fábio Mitidieri. Justamente por isso, deveria trabalhar para agregar, pacificar e fortalecer o grupo, não para abrir trincheiras dentro do próprio palanque. Se o braço direito do governador começa a distribuir cotoveladas nos aliados, alguma coisa está errada na coordenação desse corpo político. Ao atacar André Graça, os Maravilhas e outras lideranças, Jorginho não enfraquece apenas adversários locais. Ele produz desgaste dentro da própria estrutura governista e entrega munição pronta à oposição.
Cleo Menezes teve coragem ao colocar o assunto à luz do dia e revelar o que, segundo sua análise, estaria sendo articulado nos bastidores. Agora cabe a Jorginho esclarecer cada acusação e explicar se deseja ser representante do Centro Sul ou coronel político de uma região que não aceita cabresto. Como ele próprio gosta de dizer, de samba e viola muita gente toca. Mas a banda da política não funciona com um músico tomando todos os instrumentos, expulsando os companheiros do palco e exigindo aplausos. No Centro Sul, quem tenta tocar sozinho pode terminar descobrindo, tarde demais, que ficou sem banda e sem plateia.




