O PSB de Sergipe entrou naquela fase curiosa da política em que todo mundo tem voto no papel, mas ninguém sabe onde ele está na vida real. A conta é bonita, organizada, cheia de esperança, parece até planilha de Excel em fim de ano. Só tem um pequeno detalhe que atrapalha tudo, a urna não lê planilha. E no meio dessa matemática otimista, surge Cláudio Mitidieri, primo do governador, bom nome, educado, gestor correto, mas carregando um peso que não aparece no santinho, a expectativa inflada.
Cláudio não é problema, o problema é o entorno. Porque quando você olha a chapa, parece reunião de condomínio tentando montar time para campeonato de final de semana. Marco Santana vem com seu peso em São Cristóvão, mas dividido até dizer chega, disputando espaço com Gedalva Umbuabá e até com a própria avaliação do governo que ajudou a eleger. Resultado, voto espalhado, força diluída e aquela sensação de que ninguém segura ninguém.
Aí entra Elbinho Batalha, figura querida, inteligente, bom de fala, respeitado, mas que virou praticamente patrimônio da Câmara de Aracaju. Já tentou voos maiores, mas sempre volta para a base. É aquele jogador que todo mundo gosta, mas que o técnico não escala para final. Deve fazer seus 5 ou 6 mil votos, com dignidade, com aplauso, mas longe de mudar o jogo.
Na sequência vem Breno Garibaldi, jovem, esforçado, tentando crescer, mas ainda naquela fase de promessa que o eleitor olha e diz “vamos ver”. Soma mais uns votos aqui, outros ali, ajuda a compor, mas não resolve. E aí aparece Marcos Franco, que diz ter apoio de Juca, mas Juca, como bom articulador, apoia um, apoia dois, apoia três e no fim apoia a si mesmo. É apoio compartilhado, estilo buffet, cada um pega um pouco e ninguém sai satisfeito.
E não para por aí. Surge Robson Viana, discreto, mas com voto tímido, daqueles que aparecem mais em reunião do que na urna. Quando você soma tudo, percebe o drama, muita gente para dividir pouco voto. E nesse cenário, Cláudio precisa fazer o que estão dizendo por aí, 70, 80 mil votos, torcendo para sobrar uma vaga. Porque depender da chapa, do jeito que está, é confiar mais na sorte do que na estrutura.
No fim das contas, o PSB vive aquele momento clássico da política sergipana, muita conversa, muita articulação, muita esperança… e pouca garantia. Enquanto isso, o eleitor assiste, ri, comenta e guarda o voto. Porque no papel todo mundo é forte, todo mundo é candidato competitivo, todo mundo “já tem voto”. Mas quando chega a urna, meu amigo, a história é outra. E pelo andar da carruagem, o PSB vai precisar de mais do que conta bonita, vai precisar de milagre bem votado.





Uma resposta
Análise consistente e convincente.