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O relógio eleitoral não espera

Por que regularizar o título virou um ato político básico rumo a 2026

A notícia é simples, quase burocrática, e exatamente por isso é perigosa quando ignorada. O cadastro eleitoral fecha em 6 de maio de 2026. Depois disso, não há choro, jeitinho nem indignação em rede social que resolva. Quem não tirou, transferiu ou regularizou o título até essa data simplesmente não vota. A Justiça Eleitoral precisa de 150 dias para organizar o pleito, definir seções, distribuir eleitores, preparar urnas, logística e fiscalização. Democracia não funciona no improviso. Funciona com prazo.

O Tribunal Superior Eleitoral observa esse momento com atenção especial porque 2026 não será uma eleição comum. Será a eleição da superexposição digital, da inteligência artificial, da disputa intensa por narrativa e, paradoxalmente, do risco de exclusão silenciosa do eleitor desatento. Enquanto partidos, candidatos e plataformas disputam cada segundo de atenção, milhões de brasileiros ainda tratam o título eleitoral como papel secundário. Não é. O título é a chave de acesso à cidadania política e a uma série de atos da vida civil. Sem ele, não há voto, mas também não há passaporte, posse em concurso público, matrícula em universidade ou regularidade administrativa.

O fechamento do cadastro não é punição. É método. A Lei das Eleições determina esse corte justamente para garantir previsibilidade e segurança jurídica. O voto é obrigatório para quem tem entre 18 e 70 anos, facultativo para jovens de 16 e 17, analfabetos e maiores de 70. Jovens que completarem 16 anos até 4 de outubro de 2026 já podem e devem tirar o título. Aqui, o TSE tem sido claro: a participação política começa antes da campanha, antes da propaganda, antes do debate ideológico. Começa com o cadastro regular.

Há um ponto que passa despercebido no debate público. Em um cenário de campanhas digitais agressivas, inteligência artificial, desinformação e disputas judiciais sobre propaganda eleitoral e partidária, o eleitor fora do cadastro simplesmente desaparece do sistema democrático. Não é censura. É ausência administrativa. O TSE combate fake news, regula propaganda, fiscaliza abuso de poder econômico e tecnológico, mas nada disso alcança quem ficou fora do prazo. A democracia não perde tempo tentando resgatar quem ignorou o calendário.

Por isso a Justiça Eleitoral insiste tanto no aviso e no tom quase pedagógico. Regularizar o título é simples. Pode ser feito online ou presencialmente. Exige documento, comprovante de residência, CPF se houver, e quitação de eventuais pendências. O alerta contra golpes também não é retórico. Em ano pré eleitoral, crescem mensagens falsas cobrando por serviços eleitorais que são gratuitos. Todo site oficial termina em jus.br. O resto é armadilha.

Em 2026, o Brasil discutirá propaganda partidária, propaganda eleitoral, uso de inteligência artificial, limites do discurso político e responsabilidade das plataformas. Tudo isso importa. Mas nada disso alcança quem não está apto a votar. O direito ao voto não se perde por opinião. Perde-se por desatenção. O relógio eleitoral não negocia. Ele apenas avança. E quando o cadastro fecha, a democracia segue sem esperar quem deixou para depois.

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