Desde que me entendo por gente, meu saudoso avô João Batista solta a mesma pérola: “Flamengo não é time, é seleção!” Cresci achando que era só clubismo de um fanático, mas olha só – ele não tava tão errado assim. O Mengão domina a lista de convocados para os próximos jogos da Seleção nas Eliminatórias da Copa, provando que, no meio do caos do futebol brasileiro, ainda existe uma referência. Com essa priorização dos jogadores rubro negros fica explícito a pressão que o Dorival está sofrendo na seleção, ele está priorizando aqueles jogadores os quais já possui certa intimidade, já conhece o tipo de jogo, tendo em vista que o próprio é ex-treinador do Flamengo. Muito provavelmente, o velho deve ter optado por um elenco que lhe desse mais segurança e evitasse problema com a nação brasileira. Afinal, o que mais irrita o brasileiro, além de política, é futebol não é mesmo? O que está em jogo agora é algo maior: o Brasil finalmente encontrou seu futebol de novo?
A resposta chega com um teste de fogo. Nos próximos dias, vamos encarar Colômbia e Argentina, dois adversários que não têm pena de ninguém. A Argentina, então… além de ser a atual campeã do mundo, ainda adora esfregar isso na nossa cara. Só que essa Seleção Brasileira de agora não pode se dar ao luxo de viver de passado ou de nome. Tá na hora de mostrar que o Brasil ainda sabe jogar bola de verdade.
Nos últimos meses, a coisa tava feia. A gente tem um elenco cheio de craques – Vinícius Júnior, Raphinha, Rodrygo –, mas o time parecia um bando de desconhecidos jogando junto pela primeira vez. Futebol sem alma, sem identidade, sem tesão de ganhar. Como é que um país que exporta os melhores jogadores do mundo consegue ter uma Seleção tão… sem graça? Nem o Dorival Júnior deve saber a resposta, mas com certeza já perdeu uns fios de cabelo tentando entender.
Eis que surge um nome que pode mudar tudo: Neymar.
Sim, ele mesmo, o Menino da Vila, o cara que divide opiniões mais do que fila de banco. Depois de algumas lesões, idas e vindas e um destino meio inusitado no futebol árabe, ele tá de volta à Seleção. E quer saber? Isso importa. Pode falar o que quiser dele, mas quando Neymar joga, o Brasil tem esperança. Mesmo longe da melhor forma física, ele ainda tem aquele toque de genialidade que pode desequilibrar qualquer jogo.
Agora, a Seleção tem as peças. Mas será que elas vão se encaixar? O Brasil precisa mais do que um time bom no papel – precisa recuperar a paixão, a conexão com a torcida, a vontade de vencer que sempre fez parte da nossa história. E, quem sabe, dar a Neymar uma despedida digna na Copa do Mundo.
O talento a gente tem. A pergunta é: será que, dessa vez, a Seleção vai finalmente transformar isso em resultado?
Bom, pelo menos, agora temos motivo pra acreditar




