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Pague meu salário

Funcionários das empresas Sisa e Nortista, ligadas ao empresário e pré-candidato a deputado federal Marcos Franco, realizaram um protesto cobrando salários atrasados, férias não pagas e depósitos de FGTS que, segundo os trabalhadores, estariam sendo descontados dos contracheques sem repasse regular há mais de dois anos. E convenhamos: não existe marketing político que sobreviva tranquilamente a um coro de funcionários gritando “pague meu dinheiro” na porta da empresa. A cena parecia mistura de assembleia trabalhista com forró de protesto nordestino. Só faltou a sanfona puxar o refrão: “quem deve paga meu amigo, não atrasa”.

Os depoimentos dos trabalhadores foram fortes. Um deles resumiu o clima dizendo: “você não consegue cuidar da própria casa e quer governar o nosso estado?”. Outro lembrou que “conta de água não espera, conta de energia não espera”. E aí o debate deixa de ser apenas político e vira sobrevivência diária. Porque salário atrasado não é só número em extrato bancário. É supermercado vazio, cartão vencendo e pai de família tentando explicar em casa por que o dinheiro não caiu. Como diz a própria música usada pelos funcionários: “eu sou um chefe de família, tenho um filho e duas filha, vem trazer o que é meu”.

O ponto mais delicado é que a situação ganha temperatura política rapidamente, porque Marcos Franco não carrega apenas o peso de empresário. Ele foi secretário de Turismo do governo Fábio Mitidieri e atualmente atravessa Sergipe construindo sua pré-candidatura a deputado federal. E na política existe uma regra cruel: pedir voto enquanto trabalhador cobra férias, salários atrasados e direitos pendentes costuma produzir um desgaste mais veloz que vídeo de campanha em grupo de WhatsApp. O eleitor até esquece promessa. Mas raramente esquece contracheque atrasado

Claro que toda denúncia precisa ser analisada com responsabilidade e a empresa terá espaço para apresentar esclarecimentos e eventual regularização dos pagamentos. Mas politicamente o vídeo já circula forte nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp. E no Brasil de hoje, vídeo de trabalhador cobrando salário tem mais força emocional do que muito discurso de campanha produzido em estúdio climatizado. Porque no fim das contas, o eleitor talvez esqueça slogan, promessa e santinho. Mas dificilmente esquece um funcionário olhando para a câmera e dizendo simplesmente: “pague meu dinheiro”.

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