Antes de mais nada, um registro obrigatório e justo: Jeferson Andrade merece aplauso de pé. O presidente da Alese conduz o plenário como maestro que rege orquestra com cem músicos nervosos e nenhum desafinado. Em um dia de Sessão Especial, moções de repúdio, cobranças à Iguá e discursos que foram de barragem seca a Domingão com Huck, Jeferson manteve o ritmo como se estivesse jogando xadrez: sempre dois lances à frente. Não precisou gritar, nem bater na mesa – bastou erguer a pauta. Resultado? Sessão intensa, mas organizada, onde cada deputado falou, reclamou, elogiou e protestou sem transformar o plenário em um ringue. É política séria, mas com toque de diplomacia.
E foi nesse clima de ordem, mas com fogo nos discursos, que o dia na Alese pegou fogo. Deputado virou carteiro de reclamação, outro virou torcedor do comércio varejista, e teve até quem transformou a tribuna em palco de auditório para contar história de superação. Prepare o café (e a paciência), porque o resumo está mais quente que asfalto novo do DER.
Chico do Correio: o carteiro que entregou a conta da água – Chico do Correio (PT) chegou na Sessão Especial como quem entrega aviso de cobrança: direto, firme e com o recado da rua na ponta da língua. “Longo prazo, tudo bem, mas torneira seca não espera licitação”, disparou. Chico prometeu ser a “ponte de pressão” entre a Iguá e o povo, e, convenhamos, ninguém melhor que um carteiro para saber onde estão os endereços com reclamação acumulada. O plenário entendeu: Chico não quer papo furado, quer cano trocado.
Kaká Santos e a sede de respostas – Kaká Santos (União Brasil) foi mais comedido no tom, mas direto na mensagem. Pediu “adequações urgentes” para a rede de abastecimento, com aquela cara de quem já cansou de ser cobrado no mercado, na missa e no futebol de domingo. “Precisamos de água para todos os sergipanos”, repetiu, como se fosse mantra. Humor nos corredores: Kaká virou “o deputado da torneira”, título que ele parece aceitar com orgulho.
Linda Brasil: a ribeirinha que virou tsunami – Linda Brasil (PSOL) não passou pano: “É um absurdo faltar água em regiões ribeirinhas”. O plenário silenciou. A fala dela foi dura, e com razão. Criticou também tarifas que cobram esgoto onde não existe rede de esgoto e usou uma frase que rodou nos corredores: “Cobrar esgoto onde não tem esgoto é assaltar com nota fiscal”. Foi um soco político que reverberou forte, arrancando cochichos até de deputados governistas.
Georgeo Passos: o cronometrista das promessas – Georgeo (Cidadania) entrou com o pé na porta do discurso técnico: quer prazo, datas e respostas objetivas. “Promessa sem calendário é poesia barata”, cutucou. Citou Ribeirópolis, que sofre com desabastecimento, e ainda perguntou sobre aumento de tarifas pela Deso. A Iguá que se cuide, Georgeo já avisou que está marcando no relógio cada promessa.

Maísa Mitidieri: a planilha ambulante – Maísa (PSD) parece ter ido à Sessão com um Excel invisível aberto. Perguntou “onde cada real dos milhões prometidos está sendo investido”. Foi firme, técnica e com aquele ar de professora exigente que faz aluno querer corrigir a lição antes da bronca.
Luizão Donatrampi: voz do povão – Luizão (União Brasil) fez o mais simples e, por isso, talvez o mais forte: “Estamos aqui para sanar as dúvidas do povo”. Sem rodeios, pediu clareza e cobrou prestação de contas. Foi direto, como quem sabe que seu eleitor quer resposta e não discurso enfeitado.
Moção de Orgulho Sergipano – Georgeo Passos no ataque – Georgeo não ficou só na água. Foi para a ofensiva contra Arthur do Val: anunciou uma Moção de Protesto contra as falas xenofóbicas do ex-deputado. “Chamar sergipano de burro é cuspir no prato que nunca comeu”, disparou. Lembrou que Arthur foi cassado por machismo na Ucrânia e agora tenta lacrar com “xenofobia barata”. A frase rodou os grupos de WhatsApp dos parlamentares: “Georgeo foi cirúrgico e Arthur levou no lombo”.

Adailton Martins: asfalto, era digital e dedo em riste – Adailton (PSD) apoiou a moção e ainda vendeu o peixe do Governo: 24 mil toneladas de asfalto jogadas em rodovias estaduais, operação tapa-buracos em 1.400 km e, de quebra, anunciou a modernização do transporte intermunicipal com compra online de passagens. “É Sergipe entrando na era digital”, vibrou. No fundo, parecia campanha antecipada, mas quem reclamaria de estrada nova?
Luciano Pimentel: pompom na mão e pé no chão – Luciano (PP) virou quase animador de torcida: comemorou com entusiasmo os números do varejo, dizendo que Sergipe teve o maior crescimento da região. Deu crédito total ao governador Fábio Mitidieri e ainda achou tempo para parabenizar o DER pela operação tapa-buracos e Cumbe pelo “São Pedro mais bombado da história”. Foi discurso técnico com tempero de festa junina.
Manuel Marcos: o Domingão da Alese – Manuel (PSD) transformou a tribuna em palco de auditório e homenageou Elisa Feitosa, jovem de Pirambu que brilhou no Domingão com Huck. Fez discurso emocionado, disse que se viu na história dela, “pobre como o pai dela, cheguei onde cheguei com esforço e estudo” e arrancou aplausos sinceros. A frase mais comentada: “Se ela é filha de pescador, Sergipe é o oceano de talento”.
Linda Brasil – round 2: xenofobia, não! – Linda voltou à tribuna para descer a lenha em Arthur do Val. Disse que ele “vive de atacar mulheres e fazer política com ódio”. Foi direta, chamando-o de machista, xenofóbico e racista. E ainda completou: “Política não se faz com ódio, se faz com projeto”. Georgeo sorriu e concordou.
Carminha Paiva e a cidadania do bem – Carminha (Republicanos) brilhou em momento de ternura política: entregou o Título de Cidadã Sergipana para Elenilda Novais, do GACC. Disse que foi tomando café com a homenageada que entendeu sua grandeza: “Dona Elenilda transforma a vida de cada criança com amor e humanidade”. Foi o respiro de humanidade no meio de um dia tenso.




