Aracaju acordou com um terremoto político-administrativo: a Controladoria-Geral do Município resolveu abrir uma auditoria para investigar a anulação de emendas impositivas de 2024. Não estamos falando de troco de padaria, mas de R$ 13 milhões cortados da área da saúde. Entre os atingidos: Hospital São José, Hospital de Cirurgia, Hospital Santa Isabel. Cada um viu milhões evaporarem como se fossem detalhe de planilha esquecida no apagar das luzes de 2024.
À frente desse trabalho está o secretário Paulo Márcio Cruz. E aqui cabe um parêntese: Paulo não é figura qualquer. Delegado, advogado, especialista em ciências criminais, dono de um perfil investigativo que faria Sherlock Holmes pedir estágio. Dentro da Polícia Civil, não é unanimidade, poucos colegas lhe dão tapinha nas costas. Mas uma coisa é certa: ele sabe farejar problema e, quando encontra, não larga a pista.
O relatório da Controladoria não é simples recomendação burocrática. É praticamente uma CPI dentro de um parecer técnico. E toda CPI, mesmo disfarçada de relatório, tem um alvo. Quem deve estar suando com essa movimentação é o ex-prefeito Edvaldo Nogueira. Porque, se as investigações confirmarem irregularidade orçamentária, a narrativa de “erro administrativo” vira manchete de “escândalo político” em segundos. E, em tempos de redes sociais famintas por polêmica, basta uma fagulha para o incêndio começar.
Por isso, Edvaldo faria bem em acender o sinal amarelo. Orar e vigiar, sim, mas também escalar imediatamente seu time jurídico para montar trincheira. Esse tipo de auditoria não morre em gaveta; se Paulo Márcio seguir o instinto que já lhe rendeu fama de investigador obstinado, pode cavar fundo o bastante para transformar a leveza de hoje em dor de cabeça amanhã.
O mais curioso e perigoso é que muita gente subestima relatórios técnicos. Vê como papelada. Ledo engano. Um documento desses, quando assinado e carimbado, tem o peso de um míssil burocrático: silencioso, mas devastador quando cai no colo errado.
Em resumo: o caso das emendas anuladas ainda pode render muito mais do que notas de rodapé. Se os R$ 13 milhões da saúde já soam como escândalo por si só, imagine quando se abrir a caixa-preta de responsabilidades. O alerta está dado: Edvaldo, ligue-se. Não espere para ser surpreendido pelo parecer que pode virar manchete. Porque, na política, quem pisca primeiro perde e, nesse jogo, não há desconto para a ficha limpa




