Em Nossa Senhora do Socorro, o calendário político tem datas curiosas, e uma delas parece ter sido marcada a cheiro forte no ano passado. A distribuição de peixe, que deveria ser gesto de cuidado, virou motivo de revolta. Teve gente abrindo sacola e fechando o nariz, teve dona de casa devolvendo indignada e teve prefeitura correndo atrás de explicação. No fim, veio a versão oficial, problema de resfriamento. Pronto, virou quase piada pronta, mas para quem recebeu peixe estragado, não teve graça nenhuma.
E agora chega mais um período de distribuição, e o povo já não pergunta quanto vai pesar o peixe, pergunta se vai estar prestando. Porque confiança, quando azeda, demora a voltar ao ponto. E aqui vai um recado simples, direto, do jeito que o socorrense fala, prefeito Samuel Carvalho, pelo amor de Deus, esse ano não repita a dose. Peixe podre não é política social, é desrespeito com quem mais precisa.
Mas o problema não para no peixe. Quando se olha para trás, o cardápio da gestão tem outros pratos difíceis de engolir. Professores insatisfeitos, cobrança crescente, sensação de desvalorização e diálogo que muitas vezes parece ter passado longe da sala de aula. Educação não é gasto, é investimento, mas em Socorro tem hora que parece que virou discussão de planilha.
E enquanto isso, a taxa de lixo subiu, mas o lixo continua fazendo turismo pelos bairros. Tem rua que parece ponto fixo de coleta improvisada, tem canto da cidade que virou vitrine de descaso. O cidadão paga mais caro e ainda precisa conviver com o básico faltando. E aí não adianta discurso bonito, porque saco de lixo não se recolhe com coletiva de imprensa.
O curioso é que sempre aparece uma explicação técnica, um dado, um número, uma justificativa bem ensaiada. Só que o povo não vive de nota oficial, vive do dia a dia. E quando o cotidiano não melhora, a paciência encurta. Em Socorro, a sensação que fica é de que a gestão fala muito, explica muito, mas resolve menos do que deveria.
No fim das contas, a política tem um teste simples, olhar para a população e entregar o básico com dignidade. E nisso entra tudo, educação respeitada, cidade limpa e, por incrível que pareça, peixe que dê para comer. Então fica o apelo, sem ironia nenhuma, prefeito, corrija o rumo, ajuste o cuidado e, principalmente, respeite o povo. Porque Socorro merece muito mais do que promessa fresca e serviço vencido.





Uma resposta
O mais agravante ele é médico
Sabe tecnicamente o caminho da higiene e temos que comer produto com qualidade
Muito boa a sua obs só faltou falar que o mesmo é médico para mim é muito agravante