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Pequeno expediente, grandes verdades

Se você achou que a sessão da Câmara de Aracaju ia ser só aquele cafezinho morno, recheado de discursos protocolares e tapinhas nas costas… errou feio, errou rude. O pequeno expediente desta terça (27) teve mais tensão que final de campeonato, mais faísca que fio desencapado e mais tiro verbal do que grupo de WhatsApp em época de eleição.

De um lado, vereadores indignados com o colapso da saúde pública; do outro, denúncias sobre abandono de comunidades, descaso com famílias atípicas e até campo de futebol interditado por obra mal planejada (sim, eles conseguiram construir o problema — parabéns aos envolvidos!).

No meio desse ringue político, sobrou pra todo mundo: prefeitura, STJ, planos de saúde e quem mais ousar fingir que tá tudo bem. Teve dedo na cara, recado pra magistrado, cobrança pública, ironia, sarcasmo e aquele festival de verdades inconvenientes que faz a base do governo suar frio na cadeira.

Se você perdeu, relaxa. A gente te conta quem subiu o tom, quem apertou o cerco e quem perguntou, sem medo de choque de realidade: “Essa gente vai comer o quê?” Bora pro resumo dos melhores (ou piores) momentos dessa sessão que teve mais plot twist do que série de streaming.

Sonia Meire sobe o tom – No pequeno expediente desta terça (27), a vereadora Professora Sonia Meire (PSOL) largou o verbo e transformou a tribuna num consultório de diagnóstico político. Resultado? Estado de calamidade confirmado na saúde de Aracaju. Ela fez check-up completo: falta concurso, falta médico, falta investimento, sobra terceirização e precarização. “Não adianta ficar tapando buraco com band-aid quando o problema é fratura exposta no sistema”, disparou. E quem achou que ela ia passar pano, errou de plenário.

Sargento Byron vai pra cima – Subiu à tribuna com vídeo na mão e indignação no peito. Foi até o bairro Areia Branca conferir uma obra que, pasme, construiu o problema: interditaram o campo de futebol da comunidade. E como todo bom filme de ação, levou junto o vereador Isac e o secretário da Emurb, Sérgio Guimarães, pra cobrar solução. “O campo não é só pra jogar bola, é pra salvar molecada de cair em outros caminhos — e não tô falando de trilha ecológica, não”, alfinetou. E, já embalado, ainda deu aquela cobrada na prefeitura pela escuridão na orla entre o Parque dos Coqueiros e a Aruana: “Lá tá mais escuro que caixa-preta de avião!”

Thannata solta o verbo contra planos de saúde – Quem também não economizou na sinceridade foi a Thannata da Equoterapia (Mobiliza). Subiu no palanque, apontou pro alto (leia-se: STJ) e mandou aquele recado pra galera de toga. No dia 5 de junho, o tribunal vai decidir se os planos de saúde podem ou não limitar terapias — tipo aquela que mantém crianças autistas minimamente assistidas. “Vocês aí, do STJ, podem até pagar do próprio bolso se faltar terapia pro filho de vocês. Mas a galera aqui não pode, não!”, metralhou, sem economizar na ironia. No embalo, Fábio Meireles (PDT) pediu pra subscrever. Aplausos, lacre e check.

Bigode do Santa Maria Puxa o freio: ‘E essa gente vai Comer o Quê? – E quando parecia que já tinham apertado todos os botões da indignação, veio Bigode do Santa Maria (PSD) e deu aquele cruzado de esquerda na consciência do plenário. Denunciou o que todo mundo sabe, mas finge não ver: tem família na periferia sem comida no prato, sem remédio na gaveta e sem auxílio pra cuidar dos filhos autistas. “A mãe não pode trabalhar porque cuida do filho. O pai… bom, se tiver, tá na mesma situação. E essa família vai sobreviver como? De vento e esperança?”, perguntou, largando o microfone como quem solta o micro-ondas no colo do sistema.

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