Quando mais de cinquenta procuradores deixam um grupo de WhatsApp da Procuradoria-Geral do Estado, não se trata de mera “saída de grupo”. Isso, em linguagem institucional, equivale quase a um pedido de audiência coletiva com barulho de notificação. É evidente que existe insatisfação, e fingir que nada aconteceu seria tão ingênuo quanto acreditar que crise política se resolve com figurinha de “bom dia”. A PGE de Sergipe vive um momento delicado, e o governo precisa olhar isso com atenção.
Carlos Pinna Júnior, no entanto, não é exatamente um aventureiro de gabinete. Sempre teve perfil técnico, institucional e respeitado dentro da carreira jurídica. Nunca foi homem de palanque, mas de processo. Sua condução sempre buscou preservar a seriedade da Procuradoria e manter a máquina funcionando sem transformar divergência em espetáculo. E isso, convenhamos, num ambiente onde vaidade e poder costumam disputar até vaga no elevador, já é um mérito considerável.
As críticas que surgem, sobre interlocução com a categoria, decisões sensíveis no Conselho Superior, avocação de processos e a condução de pautas mais espinhosas, merecem ser ouvidas com seriedade. Procurador não costuma gritar por esporte. Quando reclama, geralmente já cansou de falar baixo. A categoria quer valorização, escuta e participação mais clara nas decisões estratégicas. Isso não enfraquece a gestão; pelo contrário, pode fortalecê-la, desde que haja maturidade para ouvir sem transformar tudo em guerra pessoal.
Também é preciso cuidado para não transformar divergência legítima em linchamento institucional. Nem toda crítica significa fracasso de gestão, assim como nem toda defesa significa cegueira política. Há um exagero natural dos bastidores. Em Sergipe, o café esfria mais rápido que a fofoca. Por isso, separar fato de narrativa virou obrigação de quem observa com responsabilidade.
No fim, Fábio Mitidieri precisará descer do avião e subir essa escada com calma. A PGE não é setor decorativo de governo; é uma das colunas que sustentam juridicamente tudo o que o Estado faz. Carlos Pinna Júnior tem histórico, capacidade e respeito para conduzir esse momento, mas crise boa é crise resolvida, não crise administrada por silêncio. O ideal agora não é escolher lado, é escolher diálogo. Porque grupo de WhatsApp se recria em segundos. Confiança institucional, não.




