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Prometeram revolução, entregaram greve: a educação superior pede socorro

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva prometeu reconstrução, diálogo e prioridade absoluta para a educação. O discurso era bonito, quase poético, daqueles que fazem professor bater palma e estudante acreditar que finalmente o campus teria paz. Mas a realidade resolveu faltar à aula. Hoje, mais de 50 universidades e institutos federais estão em greve total ou parcial, atingindo gigantes como Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Pernambuco, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Pará, além de dezenas de outras espalhadas pelo país. A própria Fasubra fala em 54 instituições afetadas. 

Entraram na lista também instituições como Universidade Federal de Juiz de Fora, Universidade Federal do Espírito Santo, Universidade Federal de São Paulo, Universidade Federal do Paraná, Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal de Uberlândia, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Universidade Federal do Piauí, Universidade Federal de Santa Catarina, além de institutos federais e hospitais universitários afetados. A greve é puxada principalmente pelos técnicos administrativos, justamente aquela categoria que o país só lembra quando o sistema cai, a matrícula trava ou o restaurante universitário fecha. Quando eles param, a universidade não fecha a porta, mas passa a funcionar como um carro com três pneus. 

A razão da paralisação é simples e brutal: acordo assinado e acordo não cumprido. Os servidores afirmam que o governo não cumpriu integralmente o Termo de Acordo de 2024, especialmente pontos como reestruturação da carreira, reconhecimento de saberes e competências, racionalização de cargos, reposicionamento de aposentados e a famosa jornada de 30 horas. Em resumo, o governo prometeu na mesa e esqueceu no Diário Oficial. Brasília chama isso de tramitação. O servidor chama pelo nome mais sincero: descaso. E quando a confiança morre, nasce a greve. 

O estudante brasileiro virou refém de um jogo que não criou. Não é só aula atrasada. É diploma travado, estágio ameaçado, residência médica em suspense, biblioteca fechada, hospital universitário reduzido e restaurante universitário funcionando no modo esperança. O jovem pobre, que depende da universidade pública para mudar de vida, assiste ao calendário acadêmico como quem acompanha boletim médico. O governo fala em inclusão social enquanto o aluno olha para a fila da secretaria e percebe que a inclusão está em greve também.

A crítica é inevitável. Um governo que subiu ao palanque prometendo defender a educação não pode tratar universidade como nota de rodapé orçamentária. Não basta posar de amigo da educação em discurso de campanha e depois governar como se o campus fosse apenas cenário de fotografia institucional. Educação superior não se sustenta com discurso emocionado nem com live ministerial. Se mais de 50 universidades param ao mesmo tempo, não é coincidência, é falha de gestão. E quando a universidade para, não é só o semestre que atrasa. É o futuro do país inteiro que perde aula.

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