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Quando a bola rola, o político sergipano tenta entrar na foto

A Copa do Mundo ainda nem começou direito, mas a pré-campanha em Sergipe já vestiu chuteira, camisa da Seleção e sorriso de torcedor profissional. Os políticos sergipanos perceberam que, quando a bola rola, o eleitor muda de assunto, baixa a guarda da disputa política e entra no clima da emoção nacional. Aí começa o jogo paralelo: enquanto o povo torce pelo Brasil, muita gente tenta aparecer no canto da foto com cara de quem sempre amou futebol desde criancinha.

Os dados do amistoso entre Brasil e Egito mostram o tamanho da oportunidade. Durante o jogo, a conversa política perdeu força nos grupos de WhatsApp, e o futebol tomou conta da atenção. Isso revela uma coisa simples: a militância pode gritar o ano inteiro, mas quando a Seleção entra em campo, até o debate eleitoral pede água e vai para o banco. O eleitor quer discutir escalação, gol, falha de zagueiro, atacante perdido e técnico teimoso. Candidato, nesse momento, vira reserva.

Em Sergipe, essa janela já está sendo usada. Pré-candidatos, deputados, prefeitos, vereadores e lideranças começam a tentar colar sua imagem ao clima da Copa. É foto com camisa verde e amarela, legenda patriótica, vídeo torcendo, bandeira no fundo, frase sobre união nacional e aquele velho teatro de sempre: o político que ontem brigava por espaço no palanque hoje aparece tentando virar amigo de arquibancada. É a pré-campanha usando o futebol como filtro emocional.

O risco é exagerar na dose. O eleitor sabe separar futebol de política. Ele aceita a brincadeira, gosta da emoção, compartilha a resenha, mas percebe quando o político força a barra. Ninguém aguenta candidato tentando transformar cada gol em santinho digital. Se politizar demais a Copa, a estratégia pode virar contra o próprio candidato. O povo quer torcer, não assistir a comício com narração esportiva.

A lição para a pré-campanha sergipana é clara: a Copa abre uma janela de comunicação, mas não autoriza oportunismo barato. Quem souber entrar no clima com leveza pode ganhar simpatia. Quem tentar sequestrar a Seleção para fazer palanque pode virar meme antes do segundo tempo. Em ano pré-eleitoral, a bola também comunica. Mas em Sergipe, onde todo mundo conhece todo mundo, o eleitor percebe rápido quem está torcendo pelo Brasil e quem está apenas tentando marcar um golzinho na urna.

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