Elber Batalha subiu à tribuna como quem levava a Constituição numa mão e um apito de fiscal do mundo na outra. Chamou de “birra” a posição de Emília Corrêa no Consórcio Metropolitano, mas esqueceu o básico: cautela com licitação questionada não é birra, é gestão. Emília não fez chilique; puxou o freio antes que o ônibus da imprudência descesse a ladeira sem motorista, sem planilha segura e com cheiro de problema jurídico no escapamento.
O discurso de Elber tenta vender a ideia de que maioria política transforma qualquer decisão em verdade absoluta. Não transforma. Se votação resolvesse vício de licitação, assembleia curava edital contaminado com palma e cafezinho. Democracia também exige responsabilidade. Aracaju não pode ser obrigada a embarcar numa aventura administrativa só porque meia dúzia decidiu acelerar o coletivo mesmo com a luz vermelha acesa no painel.
Elber também apareceu fantasiado de defensor supremo do trabalhador, falando em prejuízo mensal, integração e bolso do povo. Bonito. Quase emocionante. Só faltou violino no terminal. Mas a pergunta que ele não responde é simples: quem protege esse mesmo trabalhador de um contrato ruim, de uma licitação frágil e de uma conta que pode explodir depois? Defender integração é correto; defender integração passando pano para problema é transformar o usuário em figurante de discurso de tribuna.
A ironia é ver Elber, que já foi crítico feroz da gestão de Edvaldo Nogueira, agora virar guardião de um modelo herdado justamente daquele período. Antes, era espada. Agora, virou almofada institucional. O mesmo Elber que já duelou com Antônio Bittencourt, já bateu boca com Moana e já fez da tribuna uma arena de UFC legislativo, hoje quer dar aula de equilíbrio emocional. É como botar um trio elétrico para reclamar do barulho da vizinhança.
Ninguém nega que Elber é inteligente, preparado e respeitado. O problema é quando ele veste a toga invisível de dono da razão e começa a distribuir sermão como se fosse aplicativo de notificação. Às vezes, o bom tribuno vira personagem de si mesmo: fala alto, aponta o dedo, julga todo mundo e termina parecendo aquele professor que chega atrasado, muda a prova e ainda chama a turma de irresponsável.
No fim, Emília fez o que uma prefeita prudente deve fazer: questionou, freou e protegeu Aracaju de uma decisão apressada. Elber pode chamar de birra, vaidade ou derrota política. Mas prudência não é capricho. Cautela não é fraqueza. E responsabilidade pública não precisa pedir licença a quem hoje fala como oposição, mas se comporta com entusiasmo de quem encontrou assento confortável no ônibus da base governista.




