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Da retirada à canetada: a volta silenciosa da reforma da previdência em Aracaju

Dois dias depois de tirar de pauta o projeto que mexe com o bolso dos servidores, a prefeita Emília Corrêa voltou à carga. Nesta sexta-feira (11), ela sancionou a Lei Complementar nº 214, que institui a reforma da previdência de Aracaju. Mudou o número do projeto, ajustou pontos sensíveis, adicionou benefícios paliativos — e reapresentou o pacote com tom mais suave.

A manobra pode até ter ganhado um novo discurso, mas o conteúdo segue pesado. A alíquota dos servidores sobe para 14%, a contribuição patronal aumenta escalonadamente, e há mudanças relevantes nas pensões e aposentadorias. O texto aprovado é, no essencial, muito semelhante ao que provocou tensão na base de servidores no início da semana.


Recuo tático, retorno estratégico

Na quarta-feira (9), após pressão de sindicatos e repercussão negativa, o Executivo decidiu retirar da pauta o PLC nº 9/2025. O recuo, interpretado nos bastidores como uma tentativa de evitar desgaste político desnecessário, veio acompanhado da promessa de mais diálogo.

Dois dias depois, reaparece uma nova versão, o PLC nº 10/2025, que foi aprovado pela Câmara na quinta e sancionado nesta sexta como Lei Complementar 214. A tramitação foi rápida, com cerimônia pública e discurso de “ajuste necessário e construído a muitas mãos”.


O que está na nova reforma da previdência de Aracaju?

  • Alíquota de contribuição dos servidores sobe de 11% para 14%, a partir de outubro.
  • Prefeitura passa a contribuir com 24% em 2025, 26% em 2026 e 28% em 2027.
  • Aposentadorias e pensões passam a seguir regras mais rígidas, com ajustes por idade.
  • Foi incluído um reajuste salarial de 3% para 2026, estendido a aposentados.
  • Servidores com familiares com deficiência passam a contar com auxílio de R$ 1.500.
  • Haverá concurso público para reforçar a estrutura do AjuPrev, que também ganha novos conselhos.

Técnica ou política?

A gestão define a reforma como uma medida “técnica, constitucional e de responsabilidade fiscal”. Mas não dá para ignorar o timing político da mudança: a retirada do projeto na quarta evitou um desgaste maior com os servidores; a volta rápida indica que o objetivo original foi mantido — apenas ajustado para ser digerido com menos resistência.

O discurso de diálogo, amplamente adotado pela base governista, esbarra na própria cronologia: o processo ganhou tração apenas após forte mobilização sindical e alertas públicos. A oposição, liderada por nomes como a vereadora Sônia Meire (PSOL), questionou a falta de estudos financeiros detalhados e a pressa na aprovação.


O que esperar daqui pra frente?

A Prefeitura aposta que a nova versão seja suficiente para estabilizar as contas da previdência municipal e afastar o risco de colapso fiscal no médio prazo. Mas servidores e entidades de classe seguem atentos.

Apesar dos ajustes, a reforma mantém cortes importantes e não resolve a desconfiança de que o custo do equilíbrio está sendo empurrado para os mesmos de sempre. A velocidade da tramitação e a ausência de debates amplos deixam uma pergunta no ar: foi mesmo uma construção coletiva — ou uma estratégia de contenção de danos?


E você, servidor ou contribuinte, sentiu que essa nova versão foi mais justa? Ou foi só um novo rótulo para o mesmo remédio amargo?


Fontes Principais:

A8SE, Câmara de Aracaju, Faxaju, Portal da Prefeitura

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