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Republicanos monta chapa estadual para três cadeiras e põe a quarta na mira

O Republicanos não montou uma chapa para deputado estadual como quem aparece em casamento apenas para atacar o bufê e desaparecer antes da fotografia. Montou uma nominata para disputar poder. São 25 candidatos para as 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, misturando deputados com mandato, antigos campeões de voto, lideranças municipais, representantes de categorias e estreantes que terão a obrigação de provar que candidatura não é apenas fotografia com número no peito. Em 2022, o partido somou 153.040 votos e conquistou três vagas. Naquele pleito, o quociente eleitoral ficou perto de 50,7 mil votos. Repetir três cadeiras, portanto, é um objetivo concreto. A quarta exige crescimento, distribuição eficiente dos votos e uma boa briga nas sobras. Não é fantasia. Mas também não chega embrulhada pelo TSE com laço azul.

Os dois nomes com maior lastro eleitoral comprovado são Marcos Oliveira e Georgeo Passos. Marcos foi eleito em 2022 com 35.114 votos e chega à disputa carregando mandato, presença no Agreste e uma base consolidada em Itabaiana. Não precisa ensinar o eleitor a pronunciar seu nome nem contratar alguém para apresentá-lo à própria região. Precisa conservar o patrimônio eleitoral que já possui. Georgeo recebeu 23.355 votos em 2018 e 18.429 em 2022. Está no terceiro mandato e consolidou uma atuação marcada pela fiscalização e pela oposição ao governo Fábio Mitidieri. Enquanto alguns parlamentares tratam o microfone como item decorativo do plenário, Georgeo costuma utilizá-lo. Cobra, critica, provoca e incomoda. Numa Assembleia em que o silêncio muitas vezes parece fazer parte do regimento interno, isso pode ter valor eleitoral.

O segundo pelotão reúne Matheus Corrêa, Breno Silveira e Luciana Déda. Matheus teve 4.708 votos para deputado estadual em 2022 e, dois anos depois, foi o candidato a vereador mais votado de Lagarto, com 2.179 votos, embora não tenha conquistado a cadeira por causa do desempenho da legenda. Chega agora com base municipal e proximidade política com a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa. A ligação familiar ajuda a abrir portas, mas urna não reconhece parentesco por biometria. Matheus terá de transformar visibilidade em voto próprio. Breno Silveira traz uma lembrança incômoda para quem despreza a matemática proporcional. Obteve 19.875 votos em 2018, votação superior à de vários eleitos, mas ficou sem mandato. Tem capital eleitoral demonstrado. Resta saber quanto dele sobreviveu ao tempo. Luciana Déda aparece como alternativa com presença política e uma agenda voltada às mulheres, à saúde pública e às famílias atípicas. Ela pode ocupar um espaço que partido algum deveria tratar apenas como cumprimento burocrático da cota feminina.

A chapa espalhou antenas por diferentes territórios. Professor David Soares tenta transformar a educação em identidade eleitoral. Halerio do Povo, Eduardo do Tênis, Nivaldo da Bala e Júnior do Castelo Branco chegam com nomes de urna populares e ligação comunitária. Nego do Matuto e Gleiton Medeiros procuram conversar com o campo, os produtores e o eleitor do interior. Euquias Correia, o Pastorzão, atua no segmento religioso, terreno no qual o Republicanos sabe caminhar sem precisar consultar o mapa. Pedro Firmino e Wendell Oliveira acrescentam experiência em disputas e articulações municipais. Nenhum deles precisa acordar na manhã da eleição transformado em fenômeno. Precisa entregar voto. Na proporcional, quatro mil de um, três mil de outro e dois mil de um terceiro fazem mais pela chapa do que vinte discursos sobre “união” pronunciados por candidatos que passam a campanha escondendo o número do partido.

Marcos Rocha, apresentado como representante da segurança privada, Sargento M. Filho e Tatiane da Segurança tentam mobilizar categorias profissionais organizadas. Ana Luiza, Rosa de Teiú, Cátia Modesto, Beth da Saúde, Cícera Renovatto e Cristina Brandão ampliam a presença feminina e territorial da nominata. Pinha Motos, que disputou a eleição de 2022 e obteve 1.537 votos, completa a engrenagem com experiência eleitoral e referência municipal. Isoladamente, vários desses nomes podem parecer pequenos. Somados, podem decidir a eleição. São os chamados votos de cauda, expressão pouco elegante para uma função indispensável. Chapa proporcional sem candidatos capazes de buscar voto no bairro, na categoria, na igreja, no povoado e no município é como restaurante sofisticado sem cozinha. Tem fachada, iluminação e recepcionista. Só não consegue servir o jantar.

A conta final dispensa fogos de convenção. Marcos Oliveira e Georgeo Passos carregam os históricos eleitorais mais robustos. Matheus Corrêa, Breno Silveira e Luciana Déda integram o grupo que pode determinar a profundidade da chapa. Os demais precisam produzir a soma invisível que transforma partido competitivo em bancada. Mantendo desempenho próximo ao de 2022, o Republicanos entra seriamente na disputa por três cadeiras. Para conquistar a quarta, terá de se aproximar de 200 mil votos ou alcançar uma média favorável na distribuição das sobras. É possível. Não é automático. A chapa tem dois puxadores comprovados, alguns motores em teste e várias peças que precisarão funcionar ao mesmo tempo. Há estrutura para eleger três deputados e competitividade para brigar pelo quarto. Mais do que isso, por enquanto, é entusiasmo de convenção tentando se fantasiar de cálculo eleitoral.

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