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Requalificação do Centro de Aracaju: prometeram o futuro, mas entregaram reuniões

O que está sendo feito (e o que ainda falta fazer) no Centro de Aracaju

Agosto de 2025. Reuniões, decretos, seminários e promessas urbanísticas voltaram ao centro do noticiário sergipano. Mas dessa vez, com um toque de urgência. O Comitê Intersetorial de Requalificação do Centro de Aracaju, criado em maio, já colocou propostas concretas na mesa — e a cidade espera, mais uma vez, que elas não fiquem por lá.

Entre as ações debatidas neste mês estão:

  • Criação de novos estacionamentos;
  • Pavimentação de vias e reforma de calçadas;
  • Recuperação de fachadas históricas;
  • Estímulo direto à atividade comercial;
  • Mapeamento dos imóveis abandonados;
  • Planejamento para reconversão habitacional;
  • Arborização e melhorias na infraestrutura elétrica.

Um novo seminário já tem data marcada: 10 de setembro. A promessa é apresentar dados atualizados sobre a estrutura atual do Centro e mostrar o que pode (ou deve) ser transformado. A pergunta é: até quando vamos ouvir promessas com powerpoints?


O projeto não é novo: e é aí que mora o problema

Quem acha que essa conversa sobre revitalizar o Centro começou agora, se engana. A ideia circula há pelo menos dois anos — e, como de costume, teve seu início em meio a eventos técnicos, estudos e discursos esperançados. Em 2024, o Governo de Sergipe promoveu o seminário “Aracaju no Centro”. A intenção? Discutir a crise de identidade do Centro, que deixou de ser espaço de convivência para virar uma vitrine vazia de comércio em decadência.

Na época, especialistas como César H. M. Silva (UFS) e até técnicos da ONU-Habitat alertaram: o Centro perdeu sua alma. E não adianta pintar prédio se a gente não pensa em gente.


O jogo político por trás do asfalto

Com o seminário vieram também as tratativas com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Ainda em 2024, a Prefeitura de Aracaju iniciou uma carta-consulta pedindo financiamento para estruturar um plano robusto de mobilidade, habitação e infraestrutura. Mas, como é de praxe na política urbana brasileira, o dinheiro prometido virou mais uma sigla bonita em release oficial.

A criação do Comitê Intersetorial só aconteceu em maio de 2025, um ano depois. E foi só em agosto que o grupo realmente apresentou propostas públicas. Nesse tempo, o Centro seguiu como sempre: esvaziado, desconectado da vida urbana e longe de ser prioridade nas ações práticas do governo.


As ideias que realmente fazem sentido não são do governo

Enquanto o poder público faz planos, a academia tem sugerido soluções bem mais diretas. Um bom exemplo veio do trabalho da pesquisadora Marylia Loiola Santos (UFS), que propôs a transformação de prédios ociosos em espaços de moradia, cultura e comércio popular, com foco em pessoas em situação de rua. Nada de maquete digital, nada de render futurista: só tijolo, dignidade e função social.


E agora, Aracaju? Vamos finalmente ver a mudança ou só mais um PDF?

Com o novo seminário se aproximando, fica o alerta: ou a população cobra com força, ou o Centro continuará sendo um fantasma urbano embalado em promessas de concreto e tinta.


Fale com a gente:

Você acredita que agora vai? Ou essa requalificação vai ser mais um daqueles projetos que só funcionam no papel timbrado? Comenta aí e compartilha com quem já cansou de ver o Centro virar sinônimo de abandono.


Fontes principais:

  • Governo de Sergipe / Seplan
  • Prefeitura de Aracaju
  • BID
  • Universidade Federal de Sergipe (UFS)
  • Portais: Fanf1

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