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Resumão da Câmara (16/07)

Câmara em ebulição: capim, fortunas e o Santa Maria no mapa

A quarta-feira na Câmara Municipal de Aracaju foi daquelas em que cada vereador trouxe sua marca registrada para o plenário: teve professor defendendo servidor público com ares de aula magna, professora virando Robin Hood contra os ricos, Bigode orgulhoso colocando o Santa Maria no mapa, e Fábio Meireles distribuindo cobranças como se fosse xerife da capinagem. Entre homenagens, vídeos, denúncias e pedidos de justiça, o Pequeno e o Grande Expediente misturaram debates sérios com recados diretos – alguns tão afiados que pareciam destinados a ecoar fora das paredes do Legislativo.

IRAN BARBOSA (PSOL) – Iran abriu o Grande Expediente com o ar de professor que cobra dever atrasado: defendeu com unhas, dentes e argumentos o projeto “Descongela Já”, para devolver aos servidores públicos os 583 dias congelados pela Lei Complementar 173/2020. Falou dos 35 anos do ECA e dos 30 do SUAS e soltou uma indireta: “temos um abismo entre o que a lei garante e o que a sociedade pratica” – quase um recado de boletim vermelho para o Brasil. De quebra, anunciou que será um dos debatedores no Seminário Políticas Públicas e Sustentabilidade do TCE/SE, ao lado de Breno Garibalde e Sarah França. Resumindo: Iran já garantiu lugar na mesa… e, pelo jeito, na foto oficial também.

PROFESSORA SÔNIA MEIRE (PSOL) – Sônia começou solidária com a morte de Márcio Alcântara, mas rapidamente tirou o giz e pegou a régua: classificou os CAPS de Aracaju como “completo abandono” e exigiu concursos públicos e infraestrutura decente. Deu uma de Robin Hood na tribuna, defendendo a taxação das grandes fortunas, com direito a vídeo e card para convencer o povo. Fechou com um puxão de orelha ambiental: criticou o “projeto da devastação” e avisou que enfraquecer o licenciamento é praticamente entregar a Amazônia de bandeja para a motosserra.

BIGODE DO SANTA MARIA (PSD) – Bigode foi direto, simples e emocionado: “não tenho estudo, mas tenho educação”, frase de quem sabe que diploma não garante bom-senso. Falou com orgulho do bairro Santa Maria, onde mora há 37 anos, lembrando que antes “nem aparecia no mapa”. Hoje, diz ele, Santa Maria tem voz na Câmara… e a julgar pelo tom, essa voz vem com sotaque de quem fala com o coração (e um pouco de teimosia também).

FÁBIO MEIRELES (PDT) – Fábio apareceu com vídeos e cobranças afiadas: exigiu da Emsurb capinagem urgente em vários bairros, dizendo que “mato alto não é paisagismo”. Sobrou para a prefeita Emília Corrêa, acusada de segurar inaugurações de obras herdadas do ex-prefeito Edvaldo Nogueira, como a Escola Maria Givalda. E para fechar com estardalhaço, detonou um contrato de R$ 2,7 milhões com a FIPE, feito por dispensa de licitação: “Cadê a transparência, prefeita?”. Foi um daqueles discursos que poderiam terminar com um sonoro “pá!”.

SARGENTO BYRON (MDB) – Byron apareceu visivelmente abalado com a morte de Márcio Alcântara, mas deu um recado direto aos pais: “babá digital não educa ninguém”. Exibiu vídeo e reforçou que criança precisa de atenção real, não só de Wi-Fi.

CAMILO DANIEL (PT) – Camilo pediu justiça no caso de Flávio da Direita Sergipana, acusado de tentativa de homicídio em manifestação política, e mandou seu “ninguém merece passar por isso” em tom sério. Solidarizou-se com a família de Márcio Alcântara e, por hoje, guardou o tom de militância para outra oportunidade.

JOAQUIM DA JANELINHA (UNIÃO BRASIL) – Joaquim levou à tribuna um pedido do bairro 17 de Março para criar uma feira livre, mas o destaque mesmo foi o vídeo do “Aulão Junino” do projeto Mais Saúde. Agradeceu o governador Fábio Mitidieri pela cessão do Gonzagão e já anunciou edição em agosto. Falou com empolgação de animador de auditório, destacando que o projeto “cuida da saúde física e mental”. Faltou só o “valendo prêmios” no final.

LÚCIO FLÁVIO (PL) – Lúcio começou solidário com a morte do assessor, mas não deixou passar a fala de Camilo Daniel: rebateu com um elegante “não temos político de estimação; repudiamos o ato desde o início”. No fim, pediu mais atenção à saúde mental – tom mais conciliador do que combativo.

PASTOR DIEGO (UNIÃO BRASIL) – Pastor Diego fechou o Pequeno Expediente com tom de culto rápido: pediu urgência para dois projetos, o PL 113/2025, que leva atividades de saúde emocional para praças públicas, e o PL 47/2025, que garante liberdade religiosa nos intervalos escolares. Terminou com aquele ar de quem já tinha o “amém” garantido.

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