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Resumão da Câmara

Na 85ª sessão da Câmara Municipal de Aracaju, o Pequeno Expediente provou, mais uma vez, que de “pequeno” só tem o nome. Foi um verdadeiro show de tribunas, com vereadores transformando o plenário num palco de debates intensos, causas nobres, cutucadas políticas e algumas pitadas de vaidade parlamentar. Teve defesa de reputação, denúncia de licitação milionária, apelo social, sermão contra o aborto, elogio à prefeita e até projeto para chamar o Samu pelo WhatsApp porque, convenhamos, se a política fosse tão rápida quanto uma mensagem de áudio, o Brasil já estava salvo. Entre um microfone e outro, Aracaju viu a mistura perfeita entre espetáculo e serviço público, drama e dever, fé e ironia. No final, ninguém saiu ileso: alguns saíram aplaudidos, outros, comentados e todos, como sempre, muito atuantes.

Pequeno Expediente

Lúcio Flávio e o “PL do Estupro”: quando o post vale mais que o plenário – O primeiro a subir à tribuna foi o vereador Lúcio Flávio, pistola com as redes sociais. Segundo ele, o acusaram de tentar aprovar um “PL do Estupro”. O parlamentar respondeu na lata: “Fake news das bravas!”. Lúcio defendeu que sua proposta na verdade celebrava o Dia do Nascituro, e não tinha nada de extremismo. “Defender a vida da mãe e do bebê, sem que uma vida seja superior à outra”, garantiu. Moral da história: na internet, até pauta pró-vida vira novela mexicana.

Marcel Azevedo e o “Samu do WhatsApp” – Depois, entrou em cena o vereador Marcel Azevedo, que trocou a polêmica pelo bom senso. Ele convocou a população para a audiência “Saúde Mental em Sergipe” e relatou visita ao IPAESE, onde descobriu que surdos têm mais dificuldade de pedir socorro do que achar vaga no estacionamento da Câmara. Resultado: apresentou projeto para permitir chamados ao Samu e à Polícia por WhatsApp e SMS. Também quer Libras nos órgãos públicos. Pragmatismo puro, e, por um momento, o plenário virou sala de inovação.

Pastor Diego: entre o púlpito e o plenário – Em seguida, Pastor Diego subiu ao microfone com voz de sermão e emoção de campanha. Elogiou Lúcio Flávio pela defesa do Dia do Nascituro, repudiou “ataques ao direito à vida” e anunciou um novo projeto contra a “cristofobia”, preconceito religioso contra cristãos. Ainda elogiou a prefeita Emília Corrêa por regular o transporte complementar. Entre bênçãos e projetos de lei, Diego mostrou que fé e política seguem firmes… e misturadas.

Professora Sônia Meire e o Outubro Rosa com tempero de CPI – A vereadora Sônia Meire trouxe o toque rosa da sessão. Falou de prevenção do câncer de mama, distribuição de materiais educativos e parcerias da Procuradoria da Mulher. Até aí, tudo leve. Mas bastou citar os “super-ricos” e os deputados federais sergipanos que derrubaram a taxação deles e pronto: o plenário sentiu o impacto. “Mais uma vez o Congresso age contra o povo brasileiro”, disparou. De quebra, cobrou a Emsurb por transparência no sorteio de ambulantes do Pré-Caju. É o tipo de professora que dá aula e bronca no mesmo parágrafo.

Palhaço Soneca acordado e elogiando a prefeita – O vereador Soneca, longe do nome, estava acordadíssimo. Parabenizou a prefeita Emília Corrêa pelas obras e pela limpeza da cidade, citando o novo Parque da Sementeira. Também prometeu melhorias no Olaria e no Bugio, “regiões esquecidas”. Foi o discurso mais otimista do dia — parecia até comercial de obra pública.

Thannata da Equoterapia e o Dojô da Inclusão – A vereadora Thannata da Equoterapia virou símbolo da energia boa. Contou visita ao projeto Amigos do Judô, que atende crianças e autistas no bairro Atalaia, e comemorou o veículo conquistado pelas mães atípicas de Riachuelo. Lançou ainda o projeto Dojô da Inclusão, que une artes marciais e inclusão social. Mencionou o Outubro Laranja(TDAH). Se toda sessão tivesse esse espírito, o humor voltava pro plenário.

Anderson de Tuca e o “Criança Feliz, versão plenário” – O vereador Anderson de Tuca anunciou a nova edição do Criança Feliz, seu projeto social com brincadeiras e sorteios, desde 2013. Aproveitou pra comemorar a revitalização do Centro e a lei do transporte complementar. É o tipo de parlamentar que troca embate por algodão-doce.

Bigode do Santa Maria e o engarrafamento político – Bigode do Santa Maria pediu estudo técnico da SMTT para resolver o caos na Avenida Marinete Araújo Mendonça. Disse que a via “não aguenta mão dupla”. Elogiou a limpeza da cidade e o asfalto novinho no Centro. Resultado: Bigode virou o porta-voz oficial dos motoristas estressados.

Binho e o Bugio: um caso de amor e abandono – Encerrando o Pequeno Expediente, Binho parabenizou a SMTT por reunir lideranças comunitárias do Bugio, mas não perdoou: cobrou revitalização urgente das praças do bairro. Foi direto: “reunião não é ação”. Palavras que ecoaram entre o tapete e o asfalto.

Grande Expediente:

Camilo Daniel e a matemática milionária – Abrindo o Grande Expediente, Camilo Daniel (PT) foi didático e ácido: questionou uma nova licitação de R$ 68 milhões em tecnologia da informação, sendo que outra de R$ 44 milhões, feita no início do ano, gastou só R$ 4 milhões até agora. “Se usaram 4, pra que mais 68?”, provocou. Arrematou: “Com 60 milhões dava pra zerar a fila de exames em Aracaju.” A plateia sentiu o golpe.

Elber Batalha e o carro blindado da discórdia – Na sequência, Elber Batalha (PSB) atacou em duas frentes: o carro blindado da prefeita Emília Corrêa e o sigilo judicial. Lembrou que o Ministério Público pediu suspensão do contrato, mas a Justiça manteve. “Pesou o risco à vida da prefeita contra o custo do carro. O contrato segue até o julgamento”, explicou, em tom de ironia. E ainda cutucou: “Há rumores de segredo de Justiça em processo de improbidade.” Foi o momento “bala perdida” da sessão.

Fábio Meireles e o ônibus sem freio – Fábio Meireles (PDT) subiu quente: denunciou acidente com ônibus da VBS que perdeu o freio e acertou uma árvore na Beira Mar. “Cadê os ônibus elétricos prometidos?”, questionou, lembrando que veículos com mais de 12 anos ainda circulam, contrariando decreto municipal. Depois, mirou a SMTT: acusou o superintendente Nelson Felipe de irregularidades e ameaçou CPI. Plenário parou. O trânsito na cidade pode não parar, mas o da Câmara, sim.

Iran Barbosa e o grito pelos direitos humanos – Encerrando o dia, Iran Barbosa (PSOL) fez o contraponto: exaltou sua participação na 4ª Conferência Estadual dos Direitos Humanos, defendendo conselho ativo e democrático. Pediu recursos e participação popular. Ainda celebrou a nova diretoria do Sindipema, aplaudindo professores aposentados pela mobilização. “Vida longa ao movimento sindical”, concluiu. Foi o encerramento político e poético que o plenário precisava.

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