PUBLICIDADE

Resumão da Câmara de Aracaju: o ringue dos vereadores em dia de temporal político

Se o plenário da Câmara de Aracaju tivesse bilheteria, a sessão desta semana teria lotado como final de campeonato. Foi de tudo um pouco: vereador fazendo papel de meteorologista, outro virando guarda de trânsito, teve quem assumisse a função de pastor, quem se fantasiou de fiscal de buraco e até quem se arriscou no papel de CSI de licitação. Entre denúncias, homenagens, cobranças e elogios distribuídos como panfleto em época de campanha, o que se viu foi um verdadeiro ringue político em dia de temporal: cada parlamentar tentando provar que é protagonista de uma novela onde o roteiro muda a cada minuto.

Ricardo Vasconcelos (PSD) – O “Homem-Chuva” da CMA – Ricardo Vasconcelos parece ter assumido a função de meteorologista oficial da Câmara: toda vez que São Pedro ameaça abrir a torneira, lá está ele lembrando que basta uma chuvinha de 10 milímetros para Aracaju virar Veneza sem gôndola. Com vídeos, imagens e o novo caminhão da prefeitura (equipado com câmera, bomba e quase pronto para virar personagem da Pixar), Ricardo soltou o verbo: “eu avisei desde 2023 e me chamaram de chato”.
Além dos alagamentos, ele mirou no esgoto clandestino que desemboca nos rios e manguezais: “isso não é água da chuva, é crime ambiental”. A solução dele é direta: devolver o esgoto para a casa de quem fez a ligação irregular. Se depender de Ricardo, a fauna aquática ainda terá salvação, mas a paciência dele com a vista grossa já foi toda pelo ralo.
Na mesma toada, o presidente ainda puxou a parceria com o Ministério Público para o projeto “Saúde em Cores”. Virou quase garoto-propaganda da TV Câmara, defendendo que informação boa não pode ficar entupida como as galerias da cidade.

Maurício Maravilha (União Brasil) – O guarda de trânsito da oratória – O vereador acordou inspirado e transformou a tribuna num manual do Detran: pediu rotas escolares seguras, semáforos ajustados, faixas bem pintadas e até Zona 30. Resumindo: quer que o trânsito em frente ao Ateneu Sergipense seja mais educado que aluno em prova de recuperação.

Pastor Diego (União Brasil) – O defensor da liberdade celestial – Subiu ao púlpito para defender Silas Malafaia e descer o cajado em inquéritos que, segundo ele, não passam de “negação do direito constitucional à liberdade de expressão”. Indignado com vazamentos, Pastor Diego parece querer transformar a tribuna em púlpito e a Constituição em Bíblia de bolso.

Sônia Meire (PSOL) – A fiscal do chão batido e da sala de aula – Sônia não tem tempo ruim: fiscaliza escola, buraco, escadaria improvisada e saneamento podre no Lamarão. Denunciou esgoto malfeito, escada sem acessibilidade e pediu operação tapa-buraco na Euclides Figueiredo. Além disso, soltou o verbo sobre saneamento, inclusão e até puxou aplausos para a UFS pelo Seminário de Ações Afirmativas. E não parou aí: conseguiu aprovar projeto de lei para proteger os manguezais, puxou a bandeira da universalização do ensino superior e virou a “vereadora multiuso”: educadora, ambientalista e fiscal de buraco de rua.

Bigode do Santa Maria (PSD) – Do forró ao asfalto – Bigode mostrou que é especialista em tocar duas músicas: cobrar da prefeitura limpeza no 17 de Março e agradecer pelo São João do Povo. Um verdadeiro sanfoneiro político, com um pé na festa e outro no lamaçal da periferia.

Fábio Meireles (PDT) – O homem do ônibus elétrico (que não chega nunca) – Fábio ligou o alerta de bateria: cadê os ônibus elétricos de Aracaju? Denunciou a falta de aval do Tesouro Nacional e cobrou transparência. Parece até piada: cidade com calor de 40 graus, mas sem energia pra botar um ônibus sustentável rodando.

Iran Barbosa (PSOL) – Entre a ancestralidade e a juventude – Iran dividiu sua fala entre homenagear Mãe Marizete Silva Lessa, ícone religioso de 95 anos, e pedir uma audiência pública para discutir políticas de juventude. Do candomblé à adolescência, Iran faz malabarismo de temas como quem segura vela em festa e celular em assembleia estudantil.

Sargento Byron (MDB) – O xerife contra alagamento – Byron virou o “Estrelas do Mar”, mas sua preocupação é a lama. Pegou carona no discurso de Ricardo Vasconcelos e reforçou: é preciso desentupir galerias pluviais antes que Aracaju vire aquário. Exibiu vídeos, mostrou aflição da população e pediu que o caminhão tecnológico circule também pela Zona de Expansão. É a prova viva de que vereador adora uma retroescavadeira e um cano limpo.

Vinícius Porto (PDT) – O cabo eleitoral antecipado – Enquanto alguns falavam de esgoto, Vinícius Porto preferiu fazer campanha — e daquelas em que ninguém fica de fora. Defendeu Jeferson Andrade como vice em 2026, rasgou elogios ao governador Fábio Mitidieri, lembrou do secretário Jorginho Araújo e, para fechar com chave de ouro, ainda exibiu vídeo da prefeita Emília Corrêa. Vinícius não tem lado, tem radar: mira no poder, distribui afagos em todas as direções e transforma a tribuna num “showmício institucional”, onde o único partido oficial é o do prestígio.

Anderson de Tuca – O justiceiro das mulheres – Relembrou a lei de sua autoria que criou aplicativo para proteger mulheres vítimas de violência, cobrou regulamentação do Executivo e ainda parabenizou o governador pelo reajuste salarial. Anderson mistura discurso firme com pitadas de elogio, como quem dá tapa e depois passa pomada.

Camilo – O oftalmologista da crítica – Enquanto falavam de drenagem e ônibus, Camilo resolveu falar de falta de dentistas e oftalmologistas nas unidades de saúde. Cobrou planejamento e mostrou que, se depender dele, Aracaju precisa de check-up completo: da visão ao sorriso.

Elber Batalha (PSB) – O caça-contratos blindados – Elber virou CSI de licitação. Denunciou que a prefeita Emília Corrêa, que chegou na posse de fusquinha, agora desfila de SUV blindada alugada via dispensa. Mostrou documentos, vídeos, placas e até árvore genealógica do contrato: candidato a vereador comprou, outro candidato alugou, todos do PL, todos apadrinhados pelo mesmo cacique político. “Prefeita deve explicações”, cravou. Se dependesse de Elber, o blindado da prefeita já teria virado viatura da PF.

Levi Oliveira (PP) – O zelador das praças – Visitou a travessa Monteiro Lobato e a Praça Dário Ferreira Nunes, no Orlando Dantas. Achou tudo às moscas: ponto de ônibus fantasma, iluminação precária e praça no estilo “arqueologia urbana”. Pediu revitalização e lembrou que a praça foi obra de Marcelo Déda — ou seja, está mais abandonada que promessa de campanha antiga.

Elber Batalha (PSB), Sonia Meire (PSOL), Miltinho Dantas (PSD), Breno Garibalde (Rede) e Levi Oliveira (PP) – A turma do “legislar até cansar” – Entre projetos aprovados, teve de tudo: fisioterapia gratuita para mulheres mastectomizadas (Elber), proteção aos manguezais (Sonia), vacinação domiciliar para autistas (Miltinho), ruas rebatizadas no São José dos Náufragos (Breno) e audiência sobre o papel do administrador na economia (Levi). Sessão virou uma mistura de saúde, ecologia, inclusão e urbanismo, como se cada vereador tivesse levado sua própria “sacolinha de pautas” pro plenário.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *