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Resumão da Câmara de Aracaju

A sessão desta quarta-feira (19) na Câmara Municipal de Aracaju reforçou um padrão preocupante: discursos inflamados que não resultam em mudanças reais, elogios vagos sem justificativa concreta e a sensação de que, muitas vezes, a política municipal funciona mais como espetáculo do que como instrumento de transformação.

Enquanto alguns parlamentares se dedicaram a cobrar transparência, denunciar irregularidades e levantar questões importantes para a população, outros se limitaram a declarações protocolares e discursos autocongratulatórios, sem apresentar propostas efetivas ou caminhos para a resolução dos problemas da cidade.

A repetição desse cenário cria um ciclo de expectativas frustradas: debates acalorados se tornam apenas barulho, denúncias se perdem na burocracia e promessas seguem sem prazo definido. Diante disso, surge uma questão essencial: quem, de fato, está comprometido com a melhoria da cidade e quem está apenas preparando terreno para a próxima eleição?

Elber Batalha entrou em cena como um verdadeiro incendiário político, com dedo em riste e palavras afiadas. O motivo da indignação? O mistério em torno de um empréstimo de R$ 161 milhões para ônibus elétricos, que a maioria dos vereadores preferiu aprovar sem muitas explicações. Entre questionamentos sobre transparência e votos contrários ao requerimento, ficou no ar aquela dúvida clássica: o dinheiro público está sendo bem administrado ou virou cheque em branco?

Maurício Maravilha cheio de entusiasmo e gestos dramáticos, sacudiu papéis e anunciou uma grande vitória: garantiu transporte escolar para crianças do Conjunto Carlos Pina. Antes disso, os pequenos precisavam atravessar um rally de lama para estudar. Empolgado, garantiu que o problema seria resolvido “amanhã mesmo”. Só não disse se é aquele amanhã que vem rápido ou aquele que fica preso no trânsito da burocracia.

Miltinho Dantas diferente da maioria, optou por reconhecer um avanço ao invés de apenas criticar. Enquanto muitos parlamentares sobem à tribuna apenas para apontar problemas, ele destacou uma iniciativa positiva no transporte público, elogiando a empresa Atalaia pela compra de 24 novos ônibus modernos, equipados com ar-condicionado e carregador de celular. Num cenário onde a mobilidade urbana costuma ser sinônimo de sofrimento para a população, qualquer melhoria real merece ser destacada. Em vez de fazer discurso inflamado só para gerar manchetes, Miltinho fez algo que poucos fazem: admitiu que, apesar de todas as falhas do setor, há quem esteja tentando melhorar o serviço.

Pastor Diego, com ares de celebração, abriu os braços e exaltou a chegada das ecobikes e patinetes. Uma tentativa de modernizar a mobilidade da cidade. Mas, no meio da bênção, deixou uma pulga atrás da orelha: sem ciclovias adequadas, será que essas bikes vão ser usadas ou vão virar só enfeite de cartão postal?

Professora Sônia Meire bateu na tribuna e trouxe um choque de realidade. Sem rodeios, apontou para o descaso com os terceirizados da Prefeitura, denunciando salários atrasados, demissões sem direitos e um tratamento frio com os funcionários. Em um ambiente onde o que não falta é discurso bonito sobre “valorização do trabalhador”, os fatos parecem contar outra história.

Selma França tentou equilibrar o clima trazendo à tona o Dia do Artesão. O reconhecimento da categoria veio com palavras bonitas, mas logo deu lugar a uma cobrança séria: aplausos não pagam boletos e, sem incentivo, o artesanato vira apenas mais uma promessa esquecida nos discursos de campanha.

Sgt. Byron, firme como um praça no campo de batalha, denunciou o caos enfrentado pelos alunos da Zona de Expansão, que enfrentam alagamentos e infraestrutura precária para chegar à escola. Além disso, cobrou a criação de um Centro de Referência para Educação Especial, uma demanda antiga que, até agora, não saiu do papel – e talvez nem da gaveta.

Thannata da Equoterapia tocou em uma questão que quase ninguém quer discutir: o sofrimento mental das mães atípicas. Relatou histórias de mulheres em desespero, muitas à beira do suicídio, por falta de suporte e dificuldades para garantir tratamento adequado para seus filhos com deficiência. Um alerta que não deveria ser só um discurso, mas um chamado urgente para ação.

Vinícius Porto surgiu no palco com um gráfico na mão e um sorriso de quem já sabia o resultado do jogo antes do apito inicial. Com confiança de quem parece não precisar se preocupar com dados duvidosos, anunciou que 60% da população apoia o governador Fábio Mitidieri. Mas a pesquisa veio sem muitos detalhes, o que levanta uma questão: será que esses 60% foram contados na fila do supermercado ou na lista de cargos comissionados?

Iran Barbosa entrou no plenário no modo “zen”, homenageando São José e exaltando o suor do trabalhador, quase como quem começa uma aula com aquela introdução tranquila. Mas bastou o assunto greve dos professores entrar em cena, e pronto: o clima de sala de meditação virou sala dos professores depois do quinto mês sem reajuste. O tom subiu, a postura endureceu e o discurso ganhou um peso que nem a Prefeitura vai conseguir fingir que não ouviu. Ele detalhou a paralisação de abril e cobrou ação, deixando claro que educação valorizada não pode ser só discurso de campanha ou post bonito nas redes sociais.

Levi Oliveira entrou no plenário com energia de quem estava guardando um discurso na gaveta só esperando a hora certa. Com gestos amplos dignos de apresentador de programa policial, ele partiu para cima ao comentar a fala de Lula sobre colocar uma “mulher bonita” para negociar com o Congresso. O tom foi de puro espanto, como quem descobre que a gente está em 2025, mas certos comentários parecem saídos diretamente de 1925. E não parou por aí! Em um movimento dramático, sacudiu um recibo no ar, quase como se fosse um troféu da indignação, e soltou uma ironia certeira sobre o preço dos ovos. Quem diria que, depois do ouro e do petróleo, a nova moeda de luxo do Brasil seria um simples omelete?

Moana Valadares entrou no plenário como quem já sabia que ia incomodar – e foi exatamente o que fez. Com um tom desafiador e sem medo de desagradar, ela bateu de frente com a esquerda, jogou números na roda e acusou o governo Lula de afundar a economia, lembrando que Bolsonaro teria deixado um superávit de R$ 50 bilhões. O clima esquentou ainda mais quando alguns vereadores tentaram interrompê-la – e foi aí que ela mostrou que não estava ali para ser silenciada. Com um golpe rápido de retórica, expôs a hipocrisia daqueles que dizem defender o feminismo, mas tentam calar uma mulher quando a opinião incomoda. Moana não jogou para agradar, jogou para marcar posição. No meio de tantos discursos que só giram em torno do politicamente conveniente, ela trouxe confronto, coragem e deixou claro que não é do tipo que abaixa a cabeça – nem o microfone. 

Soneca – O vereador Soneca construiu sua primeira campanha eleitoral vestido de palhaço, desfilando em carreatas e arrancando risos e votos como “Palhaço Soneca”. O personagem lhe garantiu a vitória, mas, curiosamente, foi abandonado quando já estava no poder. Na última eleição, processou um adversário, o jovem Davi Valança, por chamá-lo de “Palhaço Soneca”, como se o apelido não tivesse sido sua própria criação. No plenário, agora mais discreto, entrou tranquilo, elogiou o governador e celebrou as novas nomeações do governo, sem grandes embates ou cobranças. Parece que o figurino mudou, mas a encenação política continua.

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