A relação entre a prefeita Emília Corrêa e o vice-prefeito Ricardo Marques já não cabe mais na moldura do “desentendimento administrativo”. O que se vê nos bastidores e agora nas redes sociais, é uma disputa por território político, identidade pública e, principalmente, sobrevivência eleitoral. Emília tem repetido em entrevistas que “o vice-prefeito precisa se colocar no seu lugar institucional”, enquanto Ricardo já disparou em tom sutil que “quem governa de costas para o povo, governa de olhos fechados”. Não são apenas frases: são recados.
Enquanto a prefeita tenta manter o discurso de autoridade sobre a máquina municipal, Ricardo Marques não perdeu o foco. Pelo contrário: intensificou. Ele e sua esposa têm percorrido bairros de Aracaju, feiras do interior e eventos comunitários, gravando vídeos, tirando selfies e construindo capital eleitoral com um objetivo claro: a Câmara Federal em 2026. Se Emília governa com caneta, Ricardo age com cálculo. A prefeita administra a cidade; o vice administra o futuro.
Nos corredores políticos, comenta-se que Ricardo está cada vez mais próximo do governador Fábio Mitidieri, que teria sinalizado positivamente para sua ida ao grupo governista. O movimento não é apenas possível, é estratégico. Fábio enxerga em Ricardo um nome de densidade popular e de discurso fácil para o eleitorado moderado, especialmente o segmento evangélico. A aproximação inclui, inclusive, a possibilidade de Ricardo assumir a presidência da federação partidária entre PSB e Cidadania, construindo uma chapa federal ao lado de Cláudio Mitidieri, primo do governador.
Se essa engenharia se concretizar, o tabuleiro muda. O deputado Anderson das Canas, hoje no PSB, já observa o cenário com inquietação. Nas contas de bastidor, Ricardo teria potencial para superar Anderson em votos, criando o risco real de Anderson perder a vaga numa chapa que ele próprio ajudou a consolidar. Ou seja: quem hoje é titular, pode virar suplente; quem hoje é vice, pode virar protagonista.
O fato é que Emília e Ricardo já não compartilham o mesmo horizonte político. A prefeita busca consolidar sua gestão que ainda capenga. Ricardo mira direto no Congresso. Ela fala em mandato. Ele fala em movimento. Emília atua como quem governa. Ricardo como quem já está em campanha. A democracia agradece. Aracaju percebe. E o jogo começou.




