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Rodrigo quer time; Luciano quer ponte

Luciano Pimentel entrou no PL carregando uma mala política bem organizada, mas com roupas de cores diferentes: Rodrigo Valadares para o Senado, Flávio Bolsonaro para presidente e Fábio Mitidieri para governador. Ou seja, chegou ao partido de Bolsonaro, mas não entregou a chave do carro, da casa e do cofre eleitoral. Fez questão de dizer que sua conversa com Rodrigo foi clara: apoio ao Senado, sim; alinhamento presidencial, sim; rompimento com Fábio, não. Na política sergipana, isso não é exatamente novidade. É quase um prato típico: cada um monta seu cuscuz com o molho que aguenta.

Do lado de Rodrigo Valadares, a lógica é outra. O deputado federal tem trabalhado a ideia de um campo bolsonarista mais fechado, com palanque próprio e identidade clara. O discurso do “time de Bolsonaro em Sergipe” aparece nas redes e nas movimentações do PL como uma tentativa de organizar a tropa: quem entra no vestiário veste a camisa inteira, não só a meia. Para Rodrigo, faz sentido político. Partido quer unidade, palanque quer coerência e campanha gosta de fotografia sem gente olhando para lados diferentes.

Luciano Pimentel, por sua vez, parece apostar no manual do político experiente: não quebrar ponte que ainda pode servir de passagem. Ele conhece Rodrigo, respeita a trajetória da família Valadares, anuncia apoio ao Senado, mas preserva o compromisso com Fábio Mitidieri. É uma engenharia de apoios que pode irritar os puristas, mas conversa com a tradição sergipana de alianças cruzadas. Aqui, às vezes, o sujeito vota com a direita de manhã, almoça com o centro ao meio-dia e à noite ainda manda mensagem educada para o governo.

O ponto de tensão é justamente esse: até onde o PL aceita um aliado que entra no projeto nacional, abraça Rodrigo no Senado, mas mantém Fábio no Governo? Para Rodrigo, a conta pode parecer contraditória. Para Luciano, pode parecer apenas coerência com compromissos assumidos antes da filiação. E para o eleitor, claro, fica aquela cara de quem abriu a tabela da Copa e descobriu que um jogador quer atuar por duas seleções no mesmo torneio. Dá para entender a estratégia, mas também dá para perguntar: afinal, qual é o time principal?

No fim, o entrevero revela menos uma briga pessoal e mais o velho problema da política sergipana: todo mundo quer palanque limpo, mas quase ninguém resiste a uma composição conveniente. Rodrigo busca uma direita mais disciplinada. Luciano tenta manter sua autonomia sem romper com quem já vinha caminhando. Os dois têm argumentos. A dúvida é se o eleitor vai comprar essa montagem ou se vai olhar para o tabuleiro e perguntar, com razão: isso é aliança, estratégia ou apenas mais um campeonato em que cada um joga com a camisa que mais combina com o placar do dia?

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