Tem coisa que só a seleção brasileira consegue fazer, transformar talento em frustração com eficiência industrial. E no meio desse enredo, Vinícius Júnior, que no Real Madrid vira pesadelo de zagueiro, quando veste a amarelinha parece que esquece onde fica o gol, onde está o drible e, às vezes, até onde está o jogo. A impressão é simples e cruel, no clube ele joga futebol, na seleção ele participa de um evento social com bola.
A crítica não é gratuita, ela vem do que se vê em campo e do que ecoa nas redes, nos programas esportivos e nas mesas redondas que já perderam a paciência. Vinícius corre, gira, tenta, mas não resolve. E futebol de alto nível não é sobre tentativa, é sobre decisão. O torcedor não quer ver esforço, quer ver resultado. E o que se entrega é uma sequência de jogadas que começam com promessa e terminam em nada, como trailer de filme ruim.
E aí entra o problema maior, que vai além de Vinícius Júnior. A seleção brasileira virou uma bagunça conceitual. Não tem padrão, não tem identidade, não tem aquele medo que o adversário sentia só de ouvir o hino. Hoje, o Brasil entra em campo e parece um time que ainda está se conhecendo, trocando nome, perguntando quem joga onde. É uma palhaçada organizada, com uniforme caro e futebol barato.
No fim das contas, Vinícius Júnior acaba virando símbolo de um problema maior. Não é só ele que está devendo, é todo o conjunto que não encaixa. Mas como estrela é feita para brilhar, quando ela não acende, a crítica vem forte. E precisa vir mesmo. Porque seleção brasileira não é laboratório, não é teste, não é promessa. É cobrança. E enquanto continuar esse teatro em campo, o torcedor vai fazer o que sabe fazer melhor, rir para não chorar.




