1. Um ano, dois palácios: a nova política toma forma em Sergipe
Sergipe em 2025 não foi apenas mais um ano administrativo. Foi um verdadeiro laboratório de uma nova configuração de poder, onde convivem dois centros de decisão. De um lado, o Palácio dos Despachos, com o governador Fábio Mitidieri colhendo bons resultados. Do outro, a Prefeitura de Aracaju, sob a gestão recém-empossada de Emília Corrêa, que tentava firmar sua marca enfrentando resistência política e institucional.
Quem imaginava que a eleição municipal encerrava um ciclo, se deparou com um jogo ainda mais complexo. Nada foi simples. E ninguém ficou confortável.
2. Emília Corrêa e o início de uma era sob tensão
A posse de Emília Corrêa, do PL, foi histórica. Primeira mulher eleita prefeita da capital sergipana, sua vitória em 2024 sobre Luiz Roberto sinalizou o desejo de mudança de parte do eleitorado. Mas a prática mostrou que romper com o ciclo anterior não seria simples.
Logo nos primeiros meses, a prefeita enfrentou dificuldades para articular maioria na Câmara. Com um terço da casa sob influência de partidos aliados ao governo estadual, os embates se tornaram rotina. O episódio que sintetizou esse embate veio em junho, quando o vereador Elber Batalha discursou com esparadrapos na boca. O protesto criticava o que ele chamou de tentativa de silenciar a oposição e escancarou o clima de tensão institucional.
3. Mitidieri entrega dados e obras em silêncio estratégico
Enquanto Aracaju vivia sob o calor do enfrentamento político, o governador Fábio Mitidieri apostou numa estratégia mais silenciosa e técnica. Os resultados, no entanto, falaram alto.
Na segurança pública, Sergipe registrou o menor índice de homicídios da década. Houve queda de 16% em relação a 2024 e 75% em comparação com 2016. O título de estado mais seguro do Nordeste não veio por acaso e passou a ser explorado pela comunicação oficial.
No campo da infraestrutura, a Ponte Penedo-Neópolis foi o principal trunfo do ano. A obra chegou a 19% de execução em dezembro e segue com previsão de entrega para o fim de 2026.
Mas nem tudo fluiu bem. Em outubro, a rede estadual de ensino viveu dois dias de greve e protestos organizados pelo Sintese. As manifestações cobravam a retomada do triênio e criticavam a Reforma Administrativa. O desgaste com o funcionalismo acendeu um alerta para 2026.
4. Iguá Saneamento assume a Deso e muda o jogo
Um dos momentos mais significativos de 2025 foi a entrada em operação da Iguá Saneamento. A empresa assumiu os serviços de distribuição de água e esgotamento sanitário em 74 municípios sergipanos, enquanto a Deso ficou responsável apenas pela captação e tratamento de água bruta.
A concessão foi apontada pelo governo como essencial para viabilizar investimentos robustos. A promessa é de 6,3 bilhões de reais ao longo de 35 anos. Ainda em 2025, a meta foi iniciar a instalação de 59 quilômetros de adutoras para reduzir os problemas de abastecimento no interior.
Apesar do debate público acalorado sobre a privatização, o fato é que o tema deixou de ser tabu e se tornou um dos marcos administrativos do ano. Problemas estão sendo constantes, o governo cobra da Iguá, mas a população ainda não acredita que foi a melhor saída a privatização e pode ser um gargalo na candidatura a reeleição.
5. Assembleia estável, bastidores inquietos
Na Assembleia Legislativa, a presidência de Jeferson Andrade garantiu estabilidade à casa. A reeleição antecipada para o biênio 2025-2027 foi costurada sem grandes ruídos. Mas nos bastidores, a história era outra.
A partir de setembro, nomes da base aliada começaram a sinalizar articulações para as eleições de 2026. A deputada Lidiane Lucena, por exemplo, defendeu publicamente a manutenção da unidade em torno de Mitidieri, embora reconheça as disputas internas por espaço na futura chapa majoritária.
Outro destaque da pauta legislativa foi a aprovação da reforma administrativa do Tribunal de Contas, com nova legislação sancionada no primeiro semestre. Um tema técnico, mas estratégico, que movimentou o núcleo político do governo.
6. Economia, orçamento e bandeiras sociais
No campo econômico, o governo de Sergipe apostou na modernização da gestão como forma de atrair recursos e destravar projetos. Em agosto, o estado aderiu ao Pacto Nacional de Gestão e Inovação. A medida foi celebrada como uma alavanca para impulsionar a máquina pública.
Na execução orçamentária, os programas Opera Sergipe e Prato do Povo ganharam protagonismo. O primeiro buscou reduzir a fila de cirurgias eletivas. O segundo, garantir segurança alimentar para as famílias mais vulneráveis. As duas iniciativas se tornaram bandeiras sociais da atual gestão estadual e funcionaram como antídoto político diante das críticas vindas da oposição.
O que esperar de 2026?
Se 2025 foi um ensaio, 2026 promete ser o espetáculo principal. A convivência entre Prefeitura de Aracaju e Governo do Estado provou ser possível, mas limitada. Cada um caminhou dentro da sua estratégia, com suas próprias prioridades e audiências.
Mitidieri fecha o ano com alta aprovação e números que reforçam sua imagem de gestor. Emília Corrêa encerra seu primeiro ano com capital simbólico relevante, principalmente entre os eleitores que apostaram no rompimento com o ciclo anterior.
A disputa agora é por narrativa e espaço. E Sergipe entra no novo ano como palco de um confronto político que tende a se intensificar.
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Fontes Principais:
G1, Infonet, Assembleia Legislativa de Sergipe, Governo de Sergipe, Portal da CMA, Sintese, CNN Brasil, TCE-SE, Click Sergipe




