PUBLICIDADE

Sessão Ordinária: discursos quentes, soluções frias

Se você acha que o Pequeno Expediente da Câmara de Aracaju é lugar de recado protocolar e tapinha nas costas, pense de novo. A sessão de ontem foi tudo, menos morna. Vereador virou cronista, orador virou cobrador, e cada microfone parecia um confessionário onde a cidade inteira veio reclamar, com razão.

Entre homenagens sinceras, vídeos alarmantes, denúncias com trilha sonora de enchente e até discurso filosófico sobre Pepe Mujica, o que não faltou foi verbo afiado e dedo apontado. Se a Prefeitura resolver 10% do que foi cobrado, já dá pra comemorar sem medo de cair num buraco.

Agora, prepare-se para o resumo mais direto do que rolou no plenário. Porque se o cidadão tá afogado em lama, sem ônibus decente e sem biblioteca, ao menos merece um boletim político que o faça rir, antes de chorar.

Maurício Maravilha (União Brasil) – Fez um tour humanitário nas instituições São José e Santa Isabel e saiu de lá com um projeto: substituir tampas de bueiro por versões de fibra de vidro, aquelas que não viram moeda de troca no mercado do ferro-velho. É o combate ao furto com criatividade e compostura. Maravilha quer saúde digna e ruas tampadas.

Milton Dantas (PSD) – Fez homenagem às mães e ao esporte, mas quem ganhou presente foi o site novo do Bolsa Atleta. Aliás, parceria com a Rádio Jornal também foi exaltada. 

Pastor Diego (União Brasil) – Abençoou o discurso com emendas impositivas e cobrou pagamento das que já foram prometidas (e esquecidas). Mesmo da base, avisou: “serei base crítica”. Também quer ver transporte com tarifa menor e linhas gratuitas, só falta combinar com quem vai pagar. A Deso e a Iguá também entraram na pregação: “quem é que vai consertar as crateras nas avenidas?”

Sargento Byron Estrelas do Mar (MDB) – Foi direto ao ponto: fibromialgia e racismo. Pediu empatia e educação, com direito a vídeo mostrando a situação do bairro Robalo debaixo d’água. E cobrou da Emurb uma atitude que vá além da chuva de promessas.

Anderson de Tuca (União Brasil) – Parabenizou a Copinha do bairro Industrial e agradeceu Milton Dantas pelo incentivo. Mas não ficou só no futebol: também driblou a Iguá com uma cobrança firme sobre drenagem e saneamento, e pediu que a empresa apareça na Câmara se tiver coragem.

Bigode do Santa Maria (PSD) – Quer saber por que a biblioteca do Siqueira Campos está parada desde a pandemia e por que a Praça da Bandeira está sem uso. Também desenterrou um monumento escondido nos fundos da Câmara. Se continuar assim, vai acabar criando o “Museu dos Esquecidos pela Prefeitura”.

Iran Barbosa (PSOL) – Trouxe forró, mas o tom foi grave: revisão salarial para servidores da saúde, com base em dados assustadores do Atlas da Violência 2025. Quase metade das vítimas de homicídio são jovens. Disse que número não é só estatística é gente, é urgência, é política pública que não pode esperar.

Levi Oliveira (PP) – Mostrou vídeo com criança andando na lama no bairro Olaria. Cena de filme de guerra? Não, é Aracaju em 2025. Chamou de inadmissível e cobrou drenagem onde hoje só tem promessa atolada.

GRANDE EXPEDIENTE – Spoiler: o tamanho do discurso é proporcional ao tamanho dos problemas.

Binho (Podemos) – Fez reunião com a prefeita e cobrou grades no canal do Almirante Tamandaré, segurança versão inox. Também denunciou um terreno baldio no Jardim Centenário que virou resort para mosquito da dengue. Disse que uma tampinha de garrafa pode parar a cidade. E olha… ele não tá errado.

Camilo Daniel (PP) – Fez discurso digno de documentário sobre Pepe Mujica, o ex-presidente uruguaio que faleceu. Falou de legado, de ética e de política com alma. Um respiro filosófico entre uma denúncia de buraco e outra.

Elber Batalha (PSB) – Mostrou vídeos de ônibus virando aquário urbano por conta da chuva. Disse que a frota está uma vergonha e que a prefeitura precisa parar de fazer dívida pra consertar o que nunca melhora. Aracaju merece ônibus e não botes.

Fábio Meireles (PDT) – Encerrando o expediente com vídeos da chuva alagando tudo. Falou em pavimentação e drenagem, antes que o próximo temporal transforme a capital em uma versão sergipana de Veneza – sem charme, sem gôndola, e com muito esgoto.

RESUMO DO DIA:A Câmara de Aracaju foi palco de homenagens, cobranças, vídeos dramáticos e discursos indignados. Se ação fosse proporcional ao discurso, Aracaju tava em primeiro no IDH. Enquanto isso, o povo segue esperando: pela coleta, pelo ônibus seco, pela biblioteca, pelo respeito.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *