Hoje, dia 10, enquanto vereadores faziam discursos performáticos na Câmara, do outro lado da responsabilidade fiscal, os conselheiros do TCE de Sergipe estavam em cena, caneta em punho, cara de poucos amigos e pilhas de processos no script. Sob a batuta da conselheira Susana Azevedo, a Sessão Plenária não teve cenário glamouroso, mas teve ação contábil de sobra: 26 processos e protocolos julgados em tempo recorde e sem precisar recorrer ao VAR.
No palco técnico: prestações de contas, denúncias cabeludas, medidas cautelares de emergência e até manifestações da ouvidoria que, convenhamos, já andam ouvindo mais que certos prefeitos.
Mas quem brilhou mesmo foram os conselheiros com seus relatórios afiados e pareceres que alternam entre “com ressalvas”, “regular com reparo”, “irregular com glosa” e o temido “não aprovado, favor devolver o dinheiro e o bom senso”. E tudo isso com a serenidade de quem julga como quem toma café: direto, sem açúcar e sem paciência pra firula orçamentária.
Prepare-se agora para conhecer os bastidores dos julgamentos que fizeram suar as prefeituras de Pirambu, Riachuelo, Itaporanga, Japoatã, Neópolis, Aparecida, Ilha das Flores e mais umas quantas que preferiam estar em qualquer lugar, menos ali.
Porque se tem algo que o TCE prova toda semana é: pode até faltar tinta na impressora da prefeitura, mas a caneta do conselheiro nunca falha.
A seguir: o elenco da auditoria, com seus votos, suas glosas e suas indiretas mais afiadas que parecer técnico em ano pré-eleitoral.
SUSANA AZEVEDO, a Regente da Corte – Presidente da sessão, Susana Azevedo comandou o Pleno com firmeza de auditora e paciência de professora da rede pública. Distribuiu processo, controlou tempo, manteve ordem — e ainda teve jogo de cintura pra conduzir 26 julgamentos sem virar mesa (nem caneta). Se fosse série, ela seria a personagem que resolve tudo com um olhar e um despacho.
ULICES ANDRADE, o Lorde das Ressalvas – Ulices chegou metendo parecer em tudo que é prefeitura: Pirambu, Riachuelo, Itaporanga d’Ajuda… parecia que estava carimbando passaporte contábil de Sergipe. Votou tudo com “aprovação com ressalvas” — porque o amor é livre, mas o orçamento tem que ser controlado. Também lançou suas observações sobre os fundos de assistência social de Itabaiana e Riachão do Dantas. Resultado? Ninguém escapou ileso, mas também ninguém foi direto pro paredão. Um verdadeiro diplomata do déficit.

ANGÉLICA GUIMARÃES, a Glosa Justiceira – Angélica é daquelas que não deixa nada passar em branco, nem em centavos. Julgou as contas da Prefeitura de Japoatã e da Câmara de Neópolis — e quando viu irregularidade, não piscou: mandou uma glosa de R$ 16.429,78. É isso mesmo: a conselheira chegou com a régua, o compasso e o boleto da responsabilidade fiscal. Também julgou o Fundo de Saúde de Laranjeiras com o tradicional “regular com ressalvas”, o selo “tem que melhorar, mas passa de ano”.
JOSÉ CARLOS FELIZOLA, o Analista Tranquilo – Com a serenidade de quem já viu muito orçamento ir pro buraco, Felizola analisou as contas de Nossa Senhora Aparecida e do Fundo de Saúde de Ilha das Flores. Aprovou com ressalvas — porque ele até entende o caos da gestão pública, mas não aceita bagunça com CPF institucional. É aquele conselheiro que não precisa gritar pra fazer estrago: basta um voto com três páginas de justificativa e o gestor já dorme preocupado.
LUIS AUGUSTO RIBEIRO, FLÁVIO CONCEIÇÃO, LUIS ALBERTO MENEZES, os Votantes Silenciosos – Estavam presentes, atentos e firmes. Não brilharam nas relatorias, mas votaram com precisão cirúrgica. São os snipers da contabilidade pública: discretos, certeiros e absolutamente necessários pra manter o jogo limpo. Se fossem personagens, seriam o conselho secreto que decide o destino da política fiscal no escuro da madrugada.
RAFAEL FONSÊCA, o Substituto com Caneta Pronta – O conselheiro substituto Rafael estava na área, e mesmo sem voto relator, sabe que qualquer brecha vira processo. Fica de prontidão: se alguém espirrar orçamento fora do prazo, ele assume.
JOÃO AUGUSTO BANDEIRA DE MELO, o Ministério Público de Contas com Olhar de Águia – O procurador do MPC/SE acompanha tudo com faro de promotor investigativo e cara de quem já viu nota fiscal com perfume de fraude. Sua presença é aquele lembrete silencioso aos gestores: não é só o TCE que tá de olho, o Ministério Público também tá tomando nota.




