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Silvany, Sukita e Cristiano: quando a política vira ringue, Capela perde

Capela parece ter descoberto um novo Poder da República: além do Executivo, Legislativo e Judiciário, agora existe o Poder da Carreata. Bastou o TRE de Sergipe manter o registro de Júnior Tourinho para a cidade ganhar buzina, jipe, festa e provocação. A cena mais comentada nem foi a decisão judicial, mas a parada estratégica em frente à casa de Sukita. Silvany Mamlak, ao lado de aliados, chamou o ex-prefeito de “louco” e ainda fez gestos de “dor de cotovelo“. A política saiu do TRE/SE e entrou de vez no roteiro de um reality show.

O problema é que Silvany não é apenas uma liderança política. Ex-prefeita de Capela, ela também preside a FAMES, entidade que representa os municípios sergipanos. Justamente por ocupar uma função institucional tão relevante, espera-se equilíbrio, serenidade e exemplo. Divergência política faz parte da democracia; transformar uma decisão recorrível em desfile de provocações não combina com quem representa prefeitos de todo o Estado. Quem ganha alguns aplausos nas redes pode acabar perdendo autoridade fora delas.

Do outro lado também não existe santo de altar. Sukita nunca foi conhecido por baixar o volume. É um personagem explosivo, carismático e especialista em responder na mesma moeda. Cristiano Cavalcante também nunca economizou nas críticas ao adversário e alimenta essa rivalidade há anos. Em Capela, a impressão é que toda semana surge um novo episódio dessa novela, onde ninguém aceita perder a última palavra e todos disputam o troféu de melhor provocador. O problema é que, enquanto os protagonistas brigam para ver quem faz a ironia mais pesada, o cidadão continua esperando que a política fale mais de saúde, educação, emprego e desenvolvimento.

No aspecto jurídico, a comemoração também pareceu antecipada. O julgamento foi importante para Júnior Tourinho, mas esteve longe de ser uma vitória por unanimidade. O relator, juiz Breno Bergson dos Santos, votou contra a manutenção do registro, entendendo existir elementos que justificariam o indeferimento. A maioria da Corte abriu divergência por considerar insuficientes as provas de que Tourinho permaneceu exercendo o cargo após a exoneração. Resultado: vitória relevante, mas ainda sujeita à apreciação do TSE. Em outras palavras, Capela comemorou a classificação como se já estivesse levantando a taça.

No fim das contas, o maior derrotado dessa disputa talvez seja justamente o povo de Capela. A cidade assiste a uma guerra permanente entre dois dos maiores grupos políticos do município, enquanto o prefeito Júnior Tourinho acaba quase como figurante da própria administração. Silvany provoca, Sukita responde, Cristiano entra na briga e a política continua girando em torno dos mesmos personagens. Capela merece um debate maior do que buzinas, cotovelos e provocações. Porque eleição passa, recurso acaba, carreata termina. Já os problemas da população continuam esperando alguém desligar o trio elétrico e ligar a máquina pública.

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