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Solidariedade monta chapa para constar e procura votos onde quase nunca encontrou

A Federação Renovação Solidária conseguiu cumprir uma missão importante na convenção: preencher nove linhas de uma ata. O problema começa quando termina o papel e começa a urna. A nominata para deputado federal parece muito mais uma chapa montada para dizer “nós também temos candidatos” do que uma operação eleitoral desenhada para conquistar uma das oito cadeiras de Sergipe na Câmara. Não aparece ali, pelo histórico conhecido, um puxador de votos, um deputado de mandato, um ex-prefeito eleitoralmente robusto ou sequer um candidato que já tenha chegado perto da votação individual normalmente necessária para entrar numa disputa real por cadeira. É a velha estratégia dos partidos pequenos: a fotografia fica cheia, a ata fica bonita e a calculadora eleitoral começa a pedir socorro.

Fabiana Santana talvez seja o retrato mais cruel dessa matemática. Foi candidata a vereadora de Aracaju em 2024 e recebeu 63 votos. Sessenta e três. Agora salta de uma disputa municipal para uma eleição federal, onde será preciso conversar com o eleitor de todo Sergipe. Giovanna Rocha já tentou uma cadeira de deputada estadual em 2018 e conseguiu 56 votos. Depois apareceu numa chapa majoritária como candidata a vice-governadora, o que lhe deu exposição, mas não transformou aqueles 56 votos proporcionais em patrimônio eleitoral demonstrado. Lene Hall chega carregando reconhecimento artístico, Vitória Simões aparece como incógnita eleitoral, enquanto Gleidoaldo do Nascimento e Serginho Mendonça possuem trajetória profissional na advocacia, mas até aqui sem votação anterior relevante localizada. É uma seleção em que currículo profissional existe, mas voto comprovado resolveu tirar férias.

Givaldo Silva é quem apresenta o melhor número da turma e, justamente por isso, ajuda a revelar o tamanho do problema. Foi candidato a deputado federal em 2018 e recebeu 1.048 votos. Tem experiência política, passagem pela Câmara da Barra dos Coqueiros e atuação pública conhecida, mas 1.048 votos continuam muito distantes do universo necessário para sustentar uma candidatura competitiva à Câmara Federal. Moacir da Ambulância é outro veterano de urna. Já disputou eleição municipal diversas vezes e chegou a 434 votos em 2008, sua melhor marca localizada. Tem persistência, isso ninguém pode negar. A ambulância eleitoral roda há anos. O problema é que Brasília fica longe e, com algumas centenas de votos, o tanque político dificilmente chega nem à saída de Sergipe.

Eis o paradoxo da Solidariedade: sobra solidariedade entre os candidatos, porque provavelmente um precisará socorrer o outro na soma dos votos. Como federação, Solidariedade e PRD precisam construir votação coletiva suficiente para entrar na briga pelo quociente e pelas sobras. Não adianta estar abraçado no palanque de Fábio Mitidieri, cercado de PSD, PT, PSB, União e PP, porque na eleição proporcional cada partido ou federação leva sua própria marmita. Os votos dos grandes aliados não entram na sacola da Renovação Solidária. Quando a urna fechar, não haverá transferência bancária de voto. E, olhando o histórico dos nomes escolhidos, a federação parece ter montado uma chapa proporcionalmente tão pequena quanto sua atual musculatura parlamentar em Sergipe.

A conclusão é incômoda, mas os números não têm obrigação de ser gentis. Hoje essa nominata se parece menos com uma chapa preparada para eleger deputado federal e mais com uma chapa preparada para cumprir tabela, ocupar espaço de campanha e permitir que a federação diga que entrou em campo. Fabiana chega de 63 votos. Giovanna, de 56 numa eleição proporcional. Givaldo apresenta 1.048. Moacir já alcançou 434. Os demais ainda precisam provar que conseguem transformar nome, profissão ou popularidade em voto. Pode haver surpresa? Política sempre permite. Mas, se o passado eleitoral servir de régua, a Renovação Solidária terá de produzir um milagre matemático daqueles capazes de transformar dezenas e centenas de votos em dezenas de milhares. Solidariedade ajuda muita coisa. Até agora, porém, ninguém descobriu se ela também multiplica voto.

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