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TCE: quando o pleno fala, a verdade ecoa

Em tempos onde a prestação de contas virou quase um jogo de disfarces, com maquiagem de números e figurino de boas intenções, o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe provou, ontem, que ali não tem espaço pra truque de ilusionista.

Sob a batuta de Suzana Azevedo, uma presidente que entende que fiscalizar é ato de coragem e não de cortesia, o Pleno se reuniu para uma verdadeira operação de raio-X nas administrações públicas. Não teve melindre, não teve empurra-empurra: teve processo, protocolo, voto afiado e, para alguns, a inevitável realidade das multas e rejeições.

Cada conselheiro trouxe para a mesa não só seu voto, mas sua marca pessoal: rigor, justiça, senso crítico e a responsabilidade de quem sabe que o dinheiro público não é ficção contábil — é vida real, com consequências reais.

Prepare-se para conhecer os protagonistas da tarde em que o TCE/SE lembrou ao Brasil que fiscalização de verdade não é feita com rapapés — é feita com coragem, técnica e, às vezes, com aquela necessária pitada de ironia.

Suzana Azevedo: A Mente Brilhante do Pleno – No cockpit da sessão, a conselheira Suzana Azevedo mostrou por que é considerada a “bússola moral” do TCE/SE. Com sua condução firme, técnica e elegante, uma mistura de diplomacia suíça com precisão cirúrgica, Suzana presidiu o Pleno de 24 de abril como quem rege orquestra: cada voto, cada parecer, cada multa, tudo no compasso. Com ela no comando, não tem confusão, não tem manobra. Tem respeito à lei, transparência e, claro, um toque de classe que só quem entende de gestão pública de verdade sabe imprimir.

Angélica Guimarães: A Guardiã da Lupa Grossa – Angélica Guimarães é daquelas que analisam processo como quem lê bula de remédio: linha por linha, olho clínico. E se tiver erro? Sem dó nem maquiagem. Foi o que aconteceu com as contas de Simão Dias (2014) e do SAAE de Capela (2015): rejeição e irregularidade decretadas. Angélica aplica seu rigor técnico como quem aplica vacina: dói um pouco para quem é mal gestor, mas faz um bem danado para a saúde da administração pública.

Francisco Evanildo: O Criterioso da Balança – Se o Pleno fosse um tribunal romano, Francisco Evanildo seria o responsável pela balança: justiça dosada, equilibrada e com muita responsabilidade. Relatando as contas de Boquim e São Cristóvão, Francisco usou sua marca registrada, análise minuciosa e imparcialidade, para aprovar, com méritos, a regularidade. Nada de “libera geral”: onde teve gestão séria, teve reconhecimento justo. Onde tivesse tropeço, o peso da balança seria sentido.

Alexandre Lessa: O Professor das Ressonâncias – Alexandre Lessa é aquele conselheiro que parece ter um laboratório de auditorias na cabeça. Analítico, técnico, detalhista e didático na explicação, para não deixar dúvida nem para quem queria. No julgamento das contas sociais de Pirambu e Ribeirópolis (2023), Lessa fez justiça com nuances: regularidade com ressalvas e ainda mandou a conta (literalmente) para Flávia Nunes, aplicando multa de R$ 3 mil. Porque corrigir é educar, mas educar com multa ensina mais rápido.

José Carlos Felizola: O Xerife das Representações – Quando o assunto é representação, José Carlos Felizola parece um delegado da lei fiscalizatória: investigativo, implacável e altamente técnico. Porto da Folha e Carira sentiram a mão pesada do voto de Felizola: procedência e multa, respectivamente. Albino Neto e Arodoaldo Chagas agora sabem que não dá pra tentar dar “aquele jeitinho” nas contas públicas quando Felizola está de olho. Spoiler: ele sempre está.

Luiz Augusto Ribeiro: O Contraponto Razoável – Em meio ao festival de multas e rejeições, Luiz Augusto Ribeiro fez o papel do advogado da razoabilidade. Com seu perfil ponderado e sua visão jurídica apurada, votou pelo indeferimento de cautelar contra a Prefeitura de Barra dos Coqueiros. Luiz Augusto sabe que fiscalização rigorosa não é sinônimo de caça às bruxas: onde falta prova robusta, ele recusa o excesso com a serenidade de quem respeita o devido processo legal.

Enfim, a sessão foi como um bom filme de tribunal: tensão, revelações e algumas condenações emocionantes. E no centro dessa ópera cívica, Suzana Azevedo brilhou como a maestrina que conduz não só a sessão, mas o espírito de vigilância pública que o Tribunal de Contas exige. Aos gestores que acham que prestação de contas é só formalidade: é melhor começar a estudar pra próxima sessão, porque no TCE/SE a régua tá alta  e a lupa.

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