Domingo em Sergipe já não começa mais com café, cuscuz e missa cedo. Agora começa com vídeo de Thiago de Joaldo olhando para uma obra parada e soltando aquele clássico que já virou patrimônio cultural do Estado: “Dizem que esse é o governo que mais trabalha… será?”. E pronto. O povo já aumenta o volume do celular porque sabe que vem estrada esburacada, placa enferrujada e aquele passeio turístico pelas promessas não concluídas. Thiago já não é só deputado, virou oficialmente o Fiscal do Gov, cargo não nomeado, mas reconhecido pelo povo e temido por quem esqueceu de terminar serviço.
Dessa vez, o roteiro não ficou apenas na rodovia entre Itabaianinha, Curralinho e Tabuleiro, onde a obra começou em julho de 2024, tinha prazo de 180 dias e parece que entrou em calendário maia. Mais de 3 milhões de reais, quase dois anos e a sensação de que a placa da obra já está pedindo aposentadoria especial. Quando o governador apareceu por lá, tinha mais trabalhador que procissão de padroeiro. Agora sobraram seis guerreiros e uma máquina olhando para o horizonte, refletindo sobre a vida e sobre o próprio contrato.
Mas Thiago resolveu ampliar o programa e saiu do fiscal do Gov para virar também fiscal da Prefeitura de Itabaianinha. E aí o catálogo ficou ainda mais interessante. Unidade Básica de Saúde do povoado Jardim abandonada, campo society do bairro Avenida parado, cinquenta casas no povoado Taboca com recurso em conta e nem cheiro de obra, mais de vinte ruas esperando pavimentação e o CAPS com placa, promessa e paciência popular. Parece até festival de inauguração imaginária, onde a única coisa pronta mesmo é a placa anunciando o futuro.
E o deputado faz isso com a tranquilidade de quem conhece cada esquina da cidade. Ele não chega gritando, chega contando. Vai mostrando, apontando, explicando e perguntando com aquele humor sertanejo que dói mais que discurso inflamado. “Será que termina em janeiro?” pergunta ele diante de uma obra que mal começou. O povo ri porque já sabe a resposta. Em Sergipe, às vezes janeiro chega mais rápido que a obra pública.
Segundo ele, já são quase 68 milhões de reais investidos em Itabaianinha, metade paga e metade garantida no orçamento da União. E aí nasce a pergunta que ecoa mais forte que carro de som em época de eleição: onde está tudo isso? Porque o dinheiro existe, a placa existe, a promessa existe, mas o povo ainda continua desviando de lama, esperando atendimento de saúde e olhando para terreno vazio com esperança e ironia ao mesmo tempo.
Thiago entendeu uma coisa simples que muita gente esquece: obra pública não é favor, é obrigação. E quando ele fiscaliza, ele não está fazendo espetáculo, está lembrando que recurso público tem dono e esse dono é o cidadão. Por isso ele virou personagem político forte. Não é só oposição, é presença. Vai no local, pisa no barro, conversa com o povo e transforma a fiscalização em linguagem popular. É quase um quadro fixo de domingo, tipo série que ninguém perde.
E convenhamos, ele tem talento para isso. Conseguir transformar obra parada em entretenimento político exige vocação rara. O homem fiscaliza com humor, denuncia com leveza e ainda faz o povo rir da própria tragédia administrativa. Enquanto isso, muita gente tenta explicar que está tudo andando. Está mesmo. Quem anda é Thiago, de obra em obra, de denúncia em denúncia, porque a construção parece continuar em repouso absoluto.
No fim, Sergipe vive essa relação curiosa entre promessa e poeira. O governo anuncia, a prefeitura planeja, o deputado fiscaliza e o povo continua pulando buraco como atleta olímpico. E assim seguimos, com mais um domingo, mais uma placa de obra e mais um episódio do grande seriado chamado “Será?”. Porque no interior, quando alguém promete que termina logo, o cidadão já responde com sabedoria ancestral: “vamos rir pra não chorar, né guerreiro?”.




