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Tiago de Joaldo entra na briga: do deboche à aposta da oposição para 2026

Lá vem ele. Thiago de Joaldo. O nome que há quatro meses era motivo de chacota em grupos de WhatsApp, piada pronta na boca de analistas apressados e alvo de uma imprensa que adora dar risada antes de dar manchete. “Candidato a governador? Ele?”, riram muitos. “É muito para o caminhãozinho dele”, debocharam outros. Mas o tal caminhãozinho, pequeno ou não, começou a subir a serra carregado de articulação, suor e milhões em emendas e, convenhamos, tem muito político por aí que nem empilhadeira levanta isso tudo.

Thiago, que até então orbitava com discrição a base do governo Fábio Mitidieri, decidiu que estava na hora de parar de se sentir figurante em uma peça escrita por outros. Caiu fora. Juntou as trouxas, despediu-se do grupo governista e desembarcou no agrupamento de oposição com pompa, tapete azul e direito a discurso gravado por Emília Corrêa e saudação de Eduardo Amorim. Chegou como quem diz: “Agora é sério”.

Mas essa virada de mesa não nasceu ontem. Tiago vinha ensaiando críticas, fazendo gestos, mostrando desconforto com os rumos do governo. Fez barulho com a CPI do INSS. Desceu o verbo na saúde estadual. E mais importante: plantou, colheu e entregou. Destinou R$ 10,5 milhões para Aracaju, articulou ações de saúde no interior, empurrou carretas do Hospital do Amor para Itabaianinha e outras cidades e se firmou como um dos deputados federais mais operantes da bancada sergipana.Enquanto isso, outros preferiram o bom e velho “opinar na rede social”.

A ruptura com o governo Mitidieri não foi feita no grito, mas no estilo “sincerão com gravata”. Thiago afirmou, sem meias-palavras, que se sentia mais acolhido pela oposição do que pelo grupo que ajudou a eleger. E fez isso sem o costumeiro chilique político que vemos por aí. Não tentou transformar a saída em novela mexicana, tampouco saiu atirando para todos os lados. Disse: “Antes só do que mal acompanhado”. E seguiu.

Hoje, sua relação com Emília Corrêa, Rodrigo Valadares, Adaílton Souza, Capitão Samuel e cia. é de confiança mútua. E se tem uma coisa que Thiago está fazendo bem é o que muita gente não tem feito: escutando, costurando e somando. Virou soldado do agrupamento, mas já com pinta de general de campo.

E se tem uma qualidade que ninguém pode tirar de Thiago, é a fidelidade. Mesmo com seu nome ganhando musculatura e sua base se fortalecendo, ele deixou claro, sem rodeios: “Se Valmir de Francisquinho recuperar os direitos políticos, ele é meu candidato a governador.” E mais: explicou que Valmir, hoje, seria o único nome da direita com densidade para enfrentar Fábio Mitidieri de igual para igual, num embate direto, duro, como o povo gosta de ver. Foi um gesto de humildade, mas também de maturidade política. Nada de querer sentar na janela, Thiago entrou no ônibus com respeito ao motorista e aos passageiros.

Outro nome que merece destaque na engrenagem dessa nova fase é o do deputado federal Gustinho Ribeiro. Presidente dos Republicanos em Sergipe e um dos grandes articuladores do estado, Gustinho foi um dos primeiros a enxergar em Thiago uma peça estratégica para o novo tabuleiro político. Convidou, dialogou, ouviu e está construindo, junto, uma ponte sólida entre Brasília e Aracaju. Thiago não poupou elogios ao colega: “Gustinho é um gigante, um homem de palavra e de articulação fina, sabe o que faz.” E sabe mesmo. Com ele na retaguarda, Thiago tem um porto seguro partidário e institucional para viabilizar seus próximos passos, seja na reeleição à Câmara ou em algo maior.

Thiago foi categórico: se Valmir de Francisquinho recuperar os direitos políticos, é nele que vai. Sem vaidade, sem forçação de barra. E isso diz muito. Porque, ao contrário de outros que chegam na oposição já querendo sentar na janela e disputar o Senado na marra, Tiago sabe seu lugar e por isso, paradoxalmente, vai longe.

Mas se Valmir não vier, o nome dele entra no jogo. Não por falta de opção, mas por construção. E aí entra o fator “Thiago Mitidieri reverso”: como Fábio, ele foi desacreditado. Como Fábio, começou pequeno. Como Fábio, riu por último. A diferença? Thiago já chega com discurso afiado, plano de voo traçado e apoio federal em Brasília, coisa que nem todo mundo por aqui tem.

Num capítulo digno de House of Cards versão Sergipe, um simples vídeo revelou mais do que o esperado. Bastou uma lupa afiada de Daniel Rezende, nosso “detetive do Instagram”,  para flagrar a presença de Thiago no radar da majoritária. Foi o suficiente para os bastidores pegarem fogo e os comentários se espalharem como gasolina em churrasco de campanha. O mais interessante? Thiago nem tentou desmentir. Confirmou o encontro, explicou as razões e jogou limpo. Enquanto uns se escondem atrás de “alguém editou o vídeo”, ele assumiu a cena.

Thiago é cria do ninho tucano. Filho de prefeito do PSDB, carregou nas costas o discurso de centro por anos. Mas como ele mesmo diz, “para não deixar o PT ganhar”, votou em Bolsonaro nos dois turnos. Hoje, seu pragmatismo político é cristalino: quer saber quem rouba aposentado, não importa se foi no governo Temer, Lula ou Bolsonaro. “Botou a mão no bolso do idoso, eu tô dentro da CPI”, disse. E está mesmo. Essa sinceridade é um ativo raro na política. E em Sergipe, mais raro ainda.

Thiago de Joaldo é um daqueles personagens que surgem como zebras e, quando menos se espera, estão nos trilhos da vitória. Tem discurso populista com verniz técnico, fala com o povão sem perder a articulação em Brasília e sabe misturar fé com planilha pública, coisa que poucos conseguem. Hoje, é nome posto. Não é favorito, não é consenso, mas é fato. Fato incômodo para muitos, principalmente para os que acharam que ele não passaria de uma nota de rodapé na política sergipana.

Em 2026, Sergipe vai ter que decidir se quer continuar com a estabilidade do governo Mitidieri ou apostar numa renovação que já começa a ser construída tijolo por tijolo. E se Valmir não puder vir, é bom o governador ficar de olho. Porque aquele “caminhãozinho” do Tiago… já virou carreta.

Uma resposta

  1. Perfeito. Uma grande oportunidade para Sergipe sair desse grupo que aí se encontra .

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