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Traição não é crime, espancar mulher é

No interior de Sergipe, um episódio que deveria causar vergonha coletiva acabou virando espetáculo nas redes sociais. Uma mulher descobriu uma traição, foi tirar satisfação e terminou sendo brutalmente espancada pelo próprio companheiro em plena via pública. Vídeos circularam rapidamente pela internet e mostraram a agressão diante de curiosos, transformando um crime grave em cena de arquibancada digital. O caso revoltou moradores e organizações que atuam na defesa das mulheres no estado. 

A Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe reagiu com indignação e classificou o episódio como mais uma prova da brutalidade da violência contra a mulher. Em nota pública, a instituição afirmou que nenhuma circunstância justifica agressão e que o caso revela uma cultura de misoginia que ainda persiste na sociedade. A entidade também informou que vai acompanhar os desdobramentos da investigação e cobrar providências das autoridades. 

É aqui que entra a ironia amarga dessa história. O sujeito trai, é flagrado, e em vez de pedir desculpas ou sair de fininho, resolve agir como valentão de quinta categoria. A lógica do agressor parece simples e grotesca ao mesmo tempo. Não consegue lidar com o próprio erro e transforma a violência em argumento. O resultado é o retrato de um atraso social que ainda insiste em sobreviver no século XXI.

Delegadas e especialistas em violência doméstica costumam repetir uma frase que deveria ser óbvia para qualquer pessoa com dois neurônios funcionando. Conflito conjugal não se resolve com soco. A Lei Maria da Penha existe exatamente para punir esse tipo de comportamento covarde. Traição pode até gerar briga, discussão e separação. Espancamento gera cadeia.

O que Sergipe e o Brasil inteiro precisam entender é que violência contra mulher não pode virar cena banal de celular e vídeo viral. Não é entretenimento, não é fofoca de bairro e não é assunto para torcida organizada de rede social. É crime. E crime precisa de investigação, punição e mudança de mentalidade. Porque enquanto houver homem que acha que pode resolver problema com pancada, a sociedade inteira ainda terá muito a evoluir.

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