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TRE aperta o botão do mudo e Sergipe descobre o impossível: Sukita calado

Há acontecimentos que desafiam a política, a física, a lógica e, no caso de Sukita, principalmente a acústica. Sergipe acaba de presenciar um deles: Manoel Messias Sukita Santos ficou sem Instagram justamente na reta final da eleição. O ex-prefeito de Capela, figura que parece ter nascido com microfone embutido e caixa de som no peito, viu o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe encontrar um botão que muita gente jurava não existir no personagem: o “mudo”. O perfil @manoelsukita deverá permanecer suspenso até as 24 horas de 4 de outubro. Não arrancaram as cordas vocais de Sukita, evidentemente. Apenas recolheram o megafone digital. E, considerando o histórico do rapaz, já é uma operação logística de respeito.

A novela vinha de capítulos anteriores. Em 16 de setembro, o juiz auxiliar da propaganda Tiago José Brasileiro Franco havia determinado que Sukita, enquanto permanecesse com os direitos políticos suspensos, não poderia promover, convocar, organizar ou assumir protagonismo público em atos de campanha. Nada de discurso estrelado, pedido de voto, posição central no palanque ou propaganda transformando a eleição numa espécie de “Programa do Sukita”. Também ficou vedada a exploração eleitoral da expressão “Chapa de Sukita”, com multa de R$ 10 mil por dia em caso de descumprimento. Traduzindo para a feira de Capela: podia assistir ao jogo, podia torcer, podia até reclamar do juiz, mas não podia entrar em campo com a camisa 10 e querer bater o pênalti.

Só havia um pequeno problema: pedir discrição a Sukita é mais ou menos como contratar trio elétrico para tocar música ambiente em consultório odontológico. Segundo o Ministério Público Eleitoral, depois das restrições o Instagram foi reorganizado em forma de mosaico. Separadas, as postagens pareciam peças comuns. Juntas, porém, formariam uma grande propaganda com Sukita em destaque, candidatos apoiados ao redor e o slogan “Quem é Sukiteiro, Vota para Vencer”. Era o famoso “não estou fazendo propaganda nenhuma”, enquanto a propaganda aparecia do tamanho de um outdoor quando se juntavam os quadradinhos. Um quebra-cabeça eleitoral em que, curiosamente, todas as peças acabavam formando Sukita.

O Ministério Público levou novamente o caso ao TRE-SE, sustentando que a estratégia contornava a decisão anterior. E aí chegou a canetada de 1º de outubro: em vez de brincar de caça-postagem, publicação por publicação, a Justiça resolveu fechar logo a torneira. O perfil inteiro foi para o banco de reservas até o encerramento da votação do primeiro turno. A Meta recebeu prazo de 24 horas para indisponibilizar a conta, sob possibilidade de multa diária de R$ 50 mil. Sukita, acostumado a transformar qualquer palanque em programa de auditório, ganhou o papel mais improvável da carreira: plateia.

A cena é quase cinematográfica. O homem conhecido pela fala inflamável, pelo improviso, pelo gestual e pela capacidade de ocupar mais espaço sonoro que a própria caixa de som agora atravessa a reta final sem seu principal palanque eletrônico. O silêncio não veio porque faltou assunto. Muito menos porque Sukita acordou, olhou para o teto e pensou: “Hoje vou praticar introspecção”. Veio por decisão judicial. Em termos políticos, colocaram o sujeito que normalmente funciona no volume 10 no silencioso. Em termos domésticos, alguém finalmente achou o controle remoto.

E talvez seja justamente aí que esteja a melhor piada pronta dessa história. Sukita nunca foi político de meia palavra. É personagem de corpo inteiro, gesto largo, frase comprida, emoção alta e volume acima da recomendação do fabricante. Quem gosta, acha divertido. Quem não gosta, procura o botão de diminuir. Agora, por alguns dias, o algoritmo não precisará decidir nada: o botão foi apertado por ordem judicial.

Sukita continua existindo, continua tendo opinião e continua sendo Sukita, tarefa que, convenhamos, já ocupa bastante espaço por si só. O que saiu temporariamente de cena foi o megafone eletrônico. E Sergipe descobriu uma situação que parecia pertencer ao terreno da ficção científica: Sukita em modo silencioso. Se houver campeonato estadual de acontecimentos improváveis, já pode separar a taça. O homem que sempre teve assunto para três discursos, quatro lives e mais uma conversa depois da missa agora enfrenta a experiência mais exótica da carreira política: alguns dias em que o Instagram não poderá ouvi-lo. Para os tímpanos da campanha, é praticamente um feriado.

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