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Turismo de propaganda e torneira seca

O governador Fábio Mitidieri sempre gostou de vender Sergipe como destino turístico, e com razão: praia bonita, culinária forte, povo acolhedor e aquele pôr do sol da Orla do Pôr do Sol que faz até turista pensar em comprar terreno. O problema é que turista não vive só de foto bonita e drone em vídeo institucional. Turista precisa de hotel funcionando, restaurante aberto, banheiro limpo e, principalmente, água na torneira. Porque convenhamos: não existe caipirinha gourmet feita no pensamento nem banheiro cinco estrelas movido a fé.

A nota de repúdio da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, a Abrasel, foi o grito que faltava para transformar o problema em vexame oficial. Quando bares, restaurantes, padarias e todo o setor de alimentação fora do lar dizem publicamente que não conseguem operar por falta de água, não estamos falando de detalhe técnico, estamos falando de colapso básico. Sem água não se lava prato, não se higieniza cozinha, não se serve cliente, não se faz café, não se faz drink e, dependendo da situação, não se faz nem cara de paisagem. O turismo vira miragem.

E o mais irônico é que isso acontece justamente depois da tão vendida concessão para a Iguá, que chegou embalada como modernização, eficiência e solução definitiva. O discurso parecia trailer de filme da Netflix: agora vai. Mas o cidadão abriu a torneira e recebeu apenas suspense. A Deso culpa a Iguá, a Iguá culpa a estrutura antiga, e no meio desse pingue-pongue institucional quem fica seco é o sergipano, e o empresário também. A água virou quase personagem de lenda urbana: todo mundo fala dela, mas poucos conseguem ver. E nesse feriadão nem apareceu para os aracajuanos.

No fim, o governador precisa entender uma coisa simples: turismo sem água é igual restaurante sem comida, hotel sem cama e campanha sem voto. Não adianta investir em promoção internacional se o turista chega aqui e descobre que o maior passeio radical do estado é tentar tomar banho antes do jantar. A Abrasel fez certo em cobrar. Porque água não é luxo, não é favor e nem marketing de concessionária. Água é o mínimo. E quando o mínimo falha, o governo não pode responder com folder bonito. Precisa responder com torneira funcionando.

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