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UMA TERÇA COM CHEIRO DE MILHO, GOSTO DE IMPOSTO E BARULHO DE MICROFONE LIGADO

O Pequeno Expediente de hoje, terça-feira (01/07), na Câmara Municipal de Aracaju, foi tudo, menos pequeno. Entre forrós lembrados, impostos cobrados, pontes prometidas e poças de lama denunciadas, os vereadores transformaram a tribuna num verdadeiro picadeiro político, cada um com seu número de destaque.

Teve parlamentar lendo carta como se fosse editorial do Le Monde Diplomatique, vereador empolgado com ponte que ainda nem saiu da maquete, e até defensor de tatame e doação de sangue. Enquanto uns exaltavam o São João como patrimônio imaterial da produtividade, outros metiam o dedo na ferida da desigualdade fiscal e na lama literal dos bairros esquecidos.

Foi um festival de discursos embalados por dados, promessas, críticas sociais, apelos emocionados e muito “parabéns” ao governador e à prefeita, como manda o figurino das sessões com clima de festa e cara de campanha.

Se o Brasil é o país do futuro, Aracaju nesta terça foi o município da falação: teve de tudo, menos tédio. Abaixo, um resumo, no melhor estilo de cada personagem que subiu ao palco da política municipal com mais estilo que dançarino de quadrilha profissional.

Iran Barbosa (PSOL): o Robin Hood da tributação – Começou o expediente com um textão. Iran subiu à tribuna como se fosse dar uma aula de economia tributária na Unicamp. Leu na íntegra a “Carta de Sergipe” da FENAFISCO, clamando por justiça fiscal e defendendo a taxação dos super-ricos. Se depender dele, quem ganha mais de R$ 7 mil vai pagar imposto até no Wi-Fi. Se faltou dinamismo, sobrou coerência: ele quer mexer no vespeiro da elite e fazer justiça com o bolso alheio. O problema é que até o servidor do som cochilou no meio da leitura.

Maurício Maravilha (União Brasil): ponte, progresso e pamonha – Maravilha chegou exaltando a futura ponte Aracaju-Barra como se fosse a Torre Eiffel sergipana. Disse que a obra vai durar 30 anos e gerar empregos até para quem nunca atravessou a ponte da Inácio Barbosa. Aproveitou pra elogiar os festejos juninos, e sugeriu que o governo faça a prestação de contas da festança. Tá certo ele: se o milho subiu, o povo tem que saber pra onde foi o dinheiro da pamonha.

Miltinho Dantas (PSD): o porta-voz do povo sedento e do São João estrelado – Reforçou a cantiga da ponte como se estivesse vendendo imóvel na planta. Chamou os festejos juninos de “os maiores do Brasil”, deve ter confundido Aracaju com Campina Grande. Mas aí Miltinho mudou o tom e tocou num assunto sério: criticou a Iguá Saneamento e disse que o povo tá ficando mais seco que juízo de ex em grupo de WhatsApp. A Iguá, pelo visto, virou o novo Judas da vez.

Pastor Diego (União Brasil): Bíblia, bala e Bolsonaro – Trouxe à tribuna o trágico caso de Areia Branca e já foi direto ao ponto: “não culpem Bolsonaro”. Para ele, o criminoso não representa o armamento cidadão. Usou a tribuna como púlpito e a retórica como espada. Se fosse debate, teria soltado um “glória a Deus” no final. Mas no fundo, o recado era claro: a culpa é do bandido, não do ex-presidente.

Professora Sônia Meire (PSOL): Gaza, justiça e tributos – Fez do plenário um palanque pela Palestina. Denunciou o genocídio em Gaza e bateu forte no “Estado genocida de Israel”, mas deixou claro que não é contra o povo israelense. Convocou o povo pra ato político e lançou plebiscito por uma “democracia na prática”, com taxação dos mais ricos e redistribuição de renda. Se o plenário tivesse bandeira, ela teria hasteado a da Palestina. E ainda teria deixado um QR Code pro Pix da revolução.

Ricardo Vasconcelos (PSD): dados, danças e desenvolvimento – Usou o CAGED como se fosse playlist de forró: “Sergipe bateu recorde de empregos!”. Segundo ele, são quase 350 mil trabalhadores com carteira assinada, uma façanha que nem a música da Juliette explicaria. Parabenizou a gestão estadual e municipal pelo São João, afirmando que festa também gera renda. E não mentiu: no balanço geral, quem dançou mesmo foi o desemprego (tomara!).

Soneca (PSD): acordado, elétrico e embalado no forró – Com nome de dorminhoco, mas discurso elétrico, Soneca elogiou tudo: o forró, a segurança, a culinária, o turismo, os ônibus elétricos, a Funcaju e até o clima, se deixassem. Foi só elogio e animação: se dependesse dele, o Forró Caju virava patrimônio da humanidade. Ao que tudo indica, Soneca acordou mesmo e, acordado é mais empolgado que animador de trio elétrico em Itabaianinha.

Alex Melo (PRD): no tatame e na solidariedade – Falou do Projeto Tatame da Vida, realizado no Bugio, com 110 competidores e muita energia. Agradeceu a prefeitura e anunciou que vem mais por aí no próximo ano. Se depender dele, o MMA sergipano vai disputar espaço com o São João. Além disso, puxou uma campanha de doação de sangue. Um soco no marasmo e um aplauso à empatia. Atitude digna de faixa preta em cidadania.

Anderson de Tuca (União Brasil): lama, poeira e promessas – Fechou o expediente como quem tá atolado até o joelho no Santa Maria. Denunciou o caos no Recanto dos Cajueiros: “lama quando chove, poeira quando faz sol”. Virou meteorologista de bairro. Disse que já cobrou mil vezes da prefeitura, mas vai cobrar de novo. Também elogiou a ação de doação de sangue do colega Alex. Um mix de apelo comunitário com campanha do Hemose. É o vereador da vida real: sem ponte, sem glamour, mas com o pé na lama e o microfone na mão.

Resumo de hoje? – Teve ponte prometida, São João elogiado, Gaza lembrada, imposto discutido, sangue doado e lama denunciada. E no meio disso tudo, teve vereador que acordou (literalmente), outro que chorou pelo povo e uns que só faltaram soltar rojão. A Câmara virou um arraial de discursos — e no meio do forró político, quem dançou foi o contribuinte. Mas pelo menos dessa vez, com sanfona e crítica social.

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