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Valmir abre o verbo na TV, bota o pé na estrada e diz: se o povo chamar, eu renuncio e encaro o Governo

Valmir de Francisquinho entrou no estúdio como quem entra numa feira de Itabaiana em dia de sábado, com barulho, coragem e aquela certeza de quem sabe vender ideia no grito, no olho e no resultado. A entrevista foi um recado direto para Sergipe inteiro, para a oposição e, também para os adversários que vivem repetindo a mesma ladainha de sempre, ele não pediu licença para existir, ele se apresentou, de novo, como personagem central do tabuleiro.

Logo de cara, ele matou a pergunta que o público mais gosta de jogar na roda, traiu o PL. Valmir respondeu com a cartilha do bolsonarismo raiz, voto em Bolsonaro quando Bolsonaro era de outro partido, votei em primeiro e segundo turno, e, no momento em que precisou tomar uma decisão pragmática para não ser engolido pela inelegibilidade, ele tomou. Aí vem o detalhe que muda tudo, ele não trata isso como pecado, trata como sobrevivência política. O discurso é simples e eficiente, se eu não fizesse, eu não estaria aqui, nem eu, nem meu filho, nem Itabaiana com esse projeto rodando.

E quando ele fala de origem, ele não fala para pedir pena, ele fala para dar tapa de luva em quem acha que política é clube fechado. Filho de pobre, criado no peso da feira, vendendo coisa miúda, carregando mundo nas costas, e ainda assim ousou querer ser governador. Valmir não estava pedindo autorização às tais classes dominantes, ele estava lembrando que a elite se incomoda quando alguém do interior atravessa a porta da sala grande e senta na cadeira sem pedir desculpa.

Na hora de rebater Rodrigo Valadares, o prefeito foi cirúrgico e ainda deu material para meme sem precisar de editor. Chamou atenção para fotos antigas, provocou com o famoso fez o L, e jogou o debate para o ponto que interessa, coerência. Quem é bolsonarista de verdade, quem só virou patriota quando o vento mudou. E aí a entrevista ganhou ação de bastidor, com nome, com cena, com reunião, com Valdemar falando em Brasília, com auditório, com Flávio Bolsonaro, com governador, com palmas e com Sergipe citado no microfone. Política é isso, meu amigo, não é só discurso, é narrativa com palco, e Valmir sabe montar palco.

O ponto alto foi a bomba dita ao vivo, ele assinou o afastamento por 30 dias, vai rodar Sergipe, medir temperatura de rua, e se sentir que o povo quer, ele renuncia e é candidato a governador. Ele não vendeu certeza, vendeu método. Primeiro, estrada. Depois, termômetro. Por fim, decisão. É o tipo de fala que cria expectativa porque mexe com o emocional do eleitor, o homem dizendo que troca o certo pelo duvidoso, e dizendo com peito estufado, coragem é a primeira qualidade do ser humano. Em termos de comunicação, isso é gasolina pura, dá manchete, dá corte, dá rádio, dá WhatsApp, dá discussão em mesa de bar e dá aquele silêncio nervoso no gabinete do adversário.

E para fechar, ele entregou o pacote completo do personagem Valmir, fé, destino, comparação com calvário, discurso de perseguição e a ideia de que se quiserem prender de novo, prendam, mas ele não se curva. É dramático, é forte, é sensacionalista, e funciona porque conversa com a base popular que admira resistência e detesta covardia. Ele ainda reforçou a vitrine de Itabaiana, obras, aprovação, sensação de segurança e orgulho local, como quem diz, eu fiz aqui, eu posso fazer no Estado. No fim, a entrevista não foi só defesa, foi lançamento informal, com humor, cutucão e uma promessa que Sergipe entende bem, quem tem voto e coragem não pede bênção, pede estrada.

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