Ontem falamos sobre o time que Fábio Mitidieri está montando: um elenco recheado, com jogadores de primeira linha e reservas de luxo. Fábio, é verdade, pode escolher com calma, porque tem muito mais atletas disponíveis e, principalmente, o “estádio” do governo do estado, que atrai reforços quase sozinho. O time governista joga com a vantagem de um elenco vasto, disciplinado e acostumado a ganhar títulos.
Do outro lado, a oposição ainda parece um time sem técnico. É uma equipe com boas peças, mas sem comando claro. E, convenhamos, time sem técnico é receita para tomar goleada. Hoje, não há dúvida: o nome mais forte, o verdadeiro treinador que pode colocar ordem nesse elenco, é Valmir de Francisquinho, o “Pato”. Por quê? Porque Valmir tem aquilo que o marketing não fabrica: densidade de voto, carisma que não se aprende em cursinho de mídia e uma popularidade que ecoa de Propriá ao Abaís. O nome dele está na boca do povo e isso é uma vantagem que nenhum marqueteiro compra.
Valmir é aquele técnico que conhece a torcida, o vestiário e até o vendedor de picolé do estádio. Ele já mostrou no sertão que sabe armar time, motivar jogador e ganhar jogo com raça. A direita precisa parar de jogar de improviso e entender que só Valmir tem capacidade para organizar a equipe.

O problema? É que no banco de reservas tem gente emperrando a escalação. O “primeiro trave” do PL atende pelo nome de Edivan Amorim. Um técnico de outro tempo, que já teve táticas brilhantes, mas parece não ter acompanhado a evolução do futebol político. Enquanto o mundo avança para o “futebol europeu”, veloz, dinâmico e estratégico, Edivan ainda insiste no toque-toque moroso, nas promessas lentas, no jogo amarrado. É aquela posse de bola que não assusta adversário nenhum.

Do outro lado da linha lateral, aparece Emília Corrêa. Venceu a eleição para prefeita de Aracaju e acha que conquistou a Libertadores. Mas liderança política é muito mais do que erguer um troféu municipal. Ao escalar, por conta própria, os “senadores” Rodrigo Valadares e Eduardo Amorim como se fosse a dona do time, Emília mais confundiu do que ajudou. No jogo pesado da política estadual, ela ainda está na prancheta de auxiliar técnico do auxiliar do auxiliar.
E o time da direita ainda tem Rodrigo Valadares que é um grande jogador, carismático, combativo, mas que mira o Senado e não o governo. Rodrigo seria aquele atacante veloz, goleador, mas que está mais preocupado com a artilharia do campeonato do que em vestir a braçadeira de capitão.

Valmir, por sua vez, precisa montar uma chapa com inteligência. Tem à disposição Rodrigo Valadares, que seria o “camisa 9” pronto para brigar por uma vaga no Senado. Tem Adailton Souza, um articulador nato, o armador que organiza o jogo e faz a bola chegar redonda para os atacantes. E tem Eduardo Amorim, que já viveu grandes momentos, mas hoje parece um veterano que só entraria em campo na prorrogação e, mesmo assim, correndo risco de não acompanhar o ritmo.
Na defesa, Valmir precisa pensar no goleiro: alguém do interior, de preferência da Zona Sul, que traga a “doçura” necessária para equilibrar a chapa. Uma mulher seria o nome ideal para o contraponto. Mas também pode surgir uma surpresa como Thiago de Joaldo, ou até mesmo GeorgeoPassos, que vem treinando forte, batendo pesado no governo e mostrando que sabe fazer oposição de qualidade. Georgeo tem pedigree político, mas também uma pegada moderna, capaz de unir diferentes correntes da direita.
A direita está a 15 meses da eleição e ainda precisa definir técnico, esquema tático e quem vai pra campo. Do jeito que está, é um time cheio de caciques que não sabe em qual índio confiar. Valmir é o nome que tem legitimidade popular, currículo e, principalmente, a vontade de entrar em campo e ganhar o jogo. Mas para isso precisa de uma equipe afinada, que treine unida e que saiba jogar bola de verdade.
Porque, no fim, como dizem os velhos narradores: “jogo político não é brincadeira, não”. E a torcida, a verdadeira, já está impaciente. Quer técnico, quer time e, acima de tudo, quer vitória. Valmir tem bola pra isso. Só precisa apitar o começo do treino.




