As visitas a Belivaldo Chagas, em Simão Dias, deixaram de ser simples gestos de cortesia e viraram quase um ritual político-gastronômico. Quando toda visita rende manchete, foto e especulação, é porque o café servido ali anda mais quente que plenária em dia de votação apertada. Belivaldo, que já foi centro do poder, agora virou ponto turístico do bastidor sergipano. Quem passa por lá automaticamente entra no noticiário. E quem não passa, fica se perguntando por quê.
O encontro com Eduardo Amorim, por exemplo, foi tratado como movimento político, mas nos corredores ganhou um apelido bem mais espirituoso: visita de médico. Daquelas de rotina, com check-up geral, aferição de pressão e a clássica pergunta “e aí, como anda a saúde do cenário político?”. Tudo feito com discrição, conversa mansa e prato cheio, porque em Simão Dias não se conversa de barriga vazia.
E não é qualquer prato. Além da prosa política, quem visita Belivaldo senta à mesa para comer maniçoba, daquele jeito que só o simãodiense sabe fazer. É política de colher na mão. Enquanto a maniçoba ferve por horas, as conversas também amadurecem, lentamente, sem pressa, como manda a receita. Nada de decisão crua. Tudo bem cozido, bem pensado e bem temperado.
Depois da visita de Eduardo, o recado ficou claro. A fila anda e a panela continua no fogo. Já tem gente sendo aguardada para as próximas degustações políticas. Rodrigo Valadares, Emília Corrêa, Fábio Mitidieri e Ricardo Marques agora figuram na lista informal dos que, cedo ou tarde, devem aparecer em Simão Dias para um café, uma maniçoba e aquela conversa estratégica que nunca é só conversa.
A casa deixou de ser apenas endereço e virou símbolo. Não se vai apenas para visitar, pois há personagens que, mesmo longe do centro do palco, seguem conduzindo a trama apenas com silêncio, tempo e boa mesa. Em Sergipe, a regra ficou simples: quer entrar no radar político? Passe em Simão Dias, visite o Belo, com o pipoca e saboreie maniçoba.




