Atenção, passageiro sergipano! Prepare a mala, o cafezinho e, por precaução, uma cadeira de balanço. Lula e Fábio Mitidieri prometeram um VLT de cerca de 40 quilômetros, ligando Aracaju, Socorro, São Cristóvão e Laranjeiras, por mais de R$ 600 milhões. Parece o Shinkansen japonês? Só na velocidade da propaganda! No Japão, o trem chega no horário; aqui, quem chegou foi a comitiva para a fotografia. O acordo assinado em 3 de julho não autoriza começar a obra. Faltam definições de traçado, questões ferroviárias e financiamento. A locomotiva da publicidade já apita; a de verdade nem saiu do desenho.
Quer medir a paciência necessária? Olhe Salvador que é governado pelo PT! O primeiro projeto de VLT foi encaminhado ao Ministério das Cidades em 2011. Depois vieram edital anunciado e adiado em 2015, procedimentos em 2017, contrato em 2019, mudanças e nova contratação em 2024. As viagens assistidas com passageiros só começaram em junho de 2026, quinze anos depois, e sem o sistema inteiro concluído. Se o trem baiano precisou desse tempo todo, imagine o sergipano ainda esperando projeto definitivo e contrato de obra. Melhor chegar à estação acompanhado do neto: alguém precisa herdar o lugar na fila!
Enquanto Lula anuncia trilhos, Brasília aperta o freio do orçamento. Em 27 de outubro, a Confederação Nacional de Municípios apontou R$ 2,5 bilhões em dotações federais bloqueadas ou contingenciadas, incluindo R$ 713,6 milhões na Saúde, R$ 595,9 milhões em Cidades e R$ 424,9 milhões na Educação. Não há prova de que esse bloqueio tenha atingido o VLT sergipano; tampouco bloqueio é corte definitivo. Mas a pergunta permanece, e não cabe resposta em discurso de inauguração: de onde virão os R$ 600 milhões? Cadê o empenho, a fonte de financiamento, a licitação e o calendário? Trem de promessa não transporta trabalhador; transporta manchete.
Ninguém torce contra um VLT útil e acessível. O sergipano quer menos trânsito, ônibus integrado e estação perto de onde trabalha. Mas Lula anuncia, Fábio acena, o fotógrafo dispara e o passageiro continua suando no ponto. Há acordo e estudos, sim; dizer que nada existe seria exagero. O que ainda não apareceu é obra contratada com dinheiro demonstrado e data segura de partida. Governador, mostre projetos e valores. Presidente, mostre o caixa. E você, leitor, já separou a passagem ou prefere comprar uma rede? Por enquanto, o Shinkansen do palanque é recordista: voa nas redes sociais e estaciona quando chega à realidade.




