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Do Uno para a vida!

O Uno foi um clássico da Fiat dos anos 80 e 90. Com design quadrado e mecânica inquebrável, o lendário Fiat Uno marcou gerações como o carro que não deixava ninguém na mão. Ele aguentava qualquer tranco, subia ladeira com escada no teto e se adaptava a qualquer terreno… Rodar por aí com um desses era entender o valor da resiliência e da simplicidade no dia a dia.

No entanto, a verdadeira viagem do “Uno para a vida” não acontece sobre quatro rodas, mas sim, ao redor de uma mesa com amigos, a quem chamamos de família ampliada… O Uno que, realmente, testa os nossos limites e ensina a viver é o famoso jogo de cartas coloridas.

Assim como nas estradas, essa disputa nos dá lições valiosas sobre o nosso cotidiano: imprevistos acontecem; flexibilidade é tudo; bloqueios fazem parte; às vezes, a vida no impulsiona a dar pulos; e comunicação, no momento certo, é vital! No fim das contas, a vida é como uma partida: ganha quem sabe administrar as cartas que recebeu e aceita que o rumo do jogo pode virar a qualquer momento. E vira…como e quanto vira! Na mesa, uma criança com sete anos, a namorada do meu filho, os pais do pequeno, no entorno e sem jogar, e eu.

Por volta das 11 horas, de um domingo qualquer de junho de 2026, enquanto as cartas coloridas se espalhavam pela mesa da sala de jantar, eu me vi… Ali, não apenas um menino de pouca idade, inconformado com o rumo da partida. Eu me vi. Eu vi a própria vida se desenhando em miniatura e bem diante dos meus olhos. Percebi e senti, também, o brilho heróico e insistente no olhar do pequeno(?) ser, misturado com aquela urgência quase dolorosa de quem precisa, a qualquer custo, ser o vencedor.

Quando ele percebeu que a vitória estava escapando pelas mãos, veio o impulso: o desejo de mudar as regras do Uno. E tentou! Naquele instante, sua mente ágil buscava redesenhar o tabuleiro do mundo para que ele coubesse no seu desejo de ganhar. É uma sensibilidade bonita essa dele, uma força motriz que o empurra para a frente… Ser competitivo é ter sangue correndo nas veias, é querer o topo, é acreditar na própria capacidade.

Mas, enquanto eu olhava para você, um filme rodou… Fiz uma viagem silenciosa e imediata pela minha própria infância. Eu me vi exatamente ali, no seu lugar. Eu também era esse projeto de competidor implacável. Eu, também, não aceitava o revés.

E como doeu quando a vida real me ensinou que eu não mandava nas regras dela. A dor de aprender a perder, tardiamente, deixa cicatrizes que o tempo demora a apagar. Frustrar-se dói, rasga o peito, parece injusto. Daí, lembrei de cada lágrima que chorei sozinho quando o mundo não se moldou ao meu querer… quando me mostrou e empurrou para outros caminhos…mesmo quando foi, completamente, injusto comigo. Nem tudo, nem sempre é como queremos, meu amado!

Por isso, o Uno se tornou, hoje, muito maior do que um jogo de cartas. Ele virou um ensaio para o seu futuro, pensei silenciosamente. A vida, assim como o Uno, vai-lhe entregar cartas maravilhosas, em alguns dias e, em outros, cartas não tão boas (ou péssimas mesmo!). O segredo de um verdadeiro campeão, meu querido, não está em trapacear o destino ou em gritar mais alto para mudar a dinâmica do jogo. O verdadeiro valor está em ser competitivo, sim, mas com uma justiça inabalável. É jogar com garra, mantendo o respeito sagrado às regras e aos outros jogadores. É entender que a vitória só é bonita e tem valor quando ela é limpa.

O ápice da beleza interior daquele garoto floresceu logo depois. Ele foi para o quarto, recolheu-se na sabedoria da sua mãe…Chorou e chorou! E quando a porta se abriu, não saiu de lá o menino derrotado pelo jogo, mas o homem gigante que você está se tornando. Ele caminhou pela casa e pediu desculpas a todos, um por um, com um abraço que me fez brotar lágrimas e reviver alguns episódios marcantes que vivi.

Ele se dirigiu a quem estava jogando e até a quem nem fazia parte da partida, contudo respirava o mesmo ar daquela tensão. Num gesto de pura nobreza e sensibilidade, mostrou-se gigante. Ali, o pequeno grande menino venceu o jogo mais importante de todos: ele compreendeu que saber perder não é fraqueza: é a maior demonstração de elegância e força que um ser humano pode ter.

Você, meu querido, é gigante! Acredite! Seus pais, anjos, que o preparam para uma vida com menos dor. Ah…como eu gostaria de ter jogado Uno com a sua idade! Eu olhei para ele, com o coração transbordando de orgulho e com uma ponta de alívio, e pensei: você aprendeu mais cedo do que eu!! O seu futuro, meu amado, estou convicto, será brilhante, justo e cheio de vitórias reais, porque você já entendeu que, do Uno para a vida, o maior prêmio é “quem a gente escolhe ser quando o jogo acaba”.

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