Nas últimas 24 horas, Sergipe viu duas maneiras de fazer política. Fábio Mitidieri exibiu partidos, lideranças e a musculatura de quem governa. Na convenção do PSB, agradeceu apoios, enumerou realizações e posou no centro de uma fotografia cuidadosamente preenchida. Tudo organizado, iluminado e institucional. Faltou apenas responder ao que não cabe no retrato: como reunir tantos interesses, acomodar tantos candidatos ao Senado e transformar uma multidão de aliados em ligação verdadeira com o povo? A moldura estava bonita. O conteúdo ainda procura espaço.
Valmir de Francisquinho escolheu outro caminho. Ao falar de Priscila Felizola, não a apresentou como filha de ex-governador, mas como mulher de identidade, competência e vontade próprias. Disse, em essência, que Priscila tem CPF, história e capacidade. Parece óbvio, mas, na política, reconhecer uma mulher pelo que ela é ainda chega a soar revolucionário. Valmir não buscou um sobrenome para ornamentar a campanha. Escolheu uma companheira capaz de caminhar ao seu lado, e não uma figura treinada para sorrir dois passos atrás. Há escolhas que completam uma chapa. Outras revelam o caráter de quem escolhe.
Fábio teve mais palanque, mais partidos e mais estrutura. Valmir teve algo que marqueteiro nenhum consegue encomendar: verdade emocional. Sua história começou no trabalho, na feira, no comércio e na dificuldade. Quando fala de gente simples, não parece repetir o resultado de uma pesquisa qualitativa. Parece reconhecer a própria vida no rosto de quem o escuta. Talvez seja essa a força que o poder não consegue copiar: Valmir não precisa ensaiar proximidade com o povo porque nunca conseguiu se afastar dele.
A fotografia final é simples. Fábio mostrou quantos estavam ao seu redor. Valmir lembrou por que tanta gente permanece ao lado dele. Um exibiu a força da estrutura. O outro tocou na memória de um Sergipe que trabalha, sofre, cai e se levanta. Quando a eleição sai do palco e entra no coração, o homem que veio da feira deixa de ser apenas candidato. Torna-se o retrato vivo de um povo que já enfrentou muita coisa, menos a humilhação de permanecer de joelhos.




