A campanha para o Governo de Sergipe ganhou velocidade nas últimas 24 horas. Fábio Mitidieri falou de saúde, participou de compromissos de campanha e voltou a defender o VLT da Grande Aracaju. O problema é que, até agora, o trem corre muito mais no discurso do que nos trilhos. Há articulações e anúncios de recursos, mas ainda faltam projeto executivo concluído, licitação, contrato de obra e cronograma capaz de dizer quando, de fato, esse VLT poderá sair do papel. Por enquanto, o trem já apita na campanha, mas ainda não chegou à estação, parecendo até o metrô de Salvador que só saiu depois de quase duas décadas.
Valmir de Francisquinho colocou a passagem de ônibus no centro do debate. Ao lado da prefeita Emília Corrêa, defendeu aporte estadual para reduzir a tarifa para menos de três reais, uma proposta que conversa diretamente com o bolso do trabalhador e que, dependendo da quantidade de viagens mensais, pode representar economia próxima de cento e oitenta reais, dinheiro capaz de ajudar no pagamento da água, da energia, do gás ou do supermercado. Valmir também propôs integrar o transporte do interior à capital, permitindo que um passageiro que saia de Propriá, por exemplo, chegue a Aracaju e utilize o transporte urbano durante até quatro horas dentro do mesmo sistema de integração, podendo ir ao médico, fazer compras, visitar parentes ou resolver problemas sem pagar uma nova passagem a cada ônibus. É uma proposta ousada, com potencial de impacto social relevante, mas que ainda precisa detalhar de onde virão os recursos, como funcionará a bilhetagem e de que forma será feita a compensação financeira entre empresas e municípios.
Ricardo Marques correu entre gravações, ruas e televisão. Emanuel Cacho percorreu comunidades e continuou apresentando suas propostas. Dr. Helton dividiu o tempo entre rádio, professores e televisão, enquanto também enfrenta discussão judicial sobre sua candidatura. Taty Cristina apareceu pouco na agenda pública divulgada. A eleição chegou àquela fase em que candidato não anda mais, corre. Apareceu feira, ele entra. Apareceu microfone, ele fala. Apareceu eleitor tomando café, provavelmente recebe santinho antes do segundo gole.
O debate das últimas horas ficou claramente dominado pela mobilidade. Fábio aposta em um VLT que ainda precisa ganhar projeto, dinheiro garantido e cronograma. Valmir aposta na redução da passagem e na integração entre interior e capital, mas também terá de apresentar as contas completas. Os demais candidatos procuram espaço entre o trilho e a catraca. Para o eleitor, o mais importante é cobrar números, prazos e responsabilidade. Porque promessa de campanha embarca de graça. A conta só aparece depois da eleição.




