
As últimas 24 horas ofereceram uma fotografia bastante reveladora da disputa pelo Governo de Sergipe. Fábio Mitidieri percorreu o Bugio, Emanuel Cacho ocupou o estúdio do SE2, Dr. Helton Monteiro caminhou ao lado dos professores, Ricardo Marques gravou programa eleitoral e Taty Cristina praticamente desapareceu do noticiário. Valmir de Francisquinho, por sua vez, começou o dia no Terminal do Mercado, em Aracaju, e depois atravessou o Agreste em carreata por Carira, Pinhão e Frei Paulo. Enquanto alguns candidatos discutiam como aparecer, Francisquinho já estava aparecendo. Na política, fotografia não substitui proposta, mas candidato ausente não chega sequer a sair bem na fotografia.

Fábio cumpriu uma agenda politicamente correta, porém geograficamente econômica. Reuniões reservadas e uma carreata no Bugio mantiveram o governador em contato com a capital, mas não produziram uma novidade capaz de alterar o rumo da campanha. Sua equipe preferiu aproveitar a controvérsia judicial envolvendo uma publicação de Valmir para reforçar o discurso da responsabilidade e da credibilidade. É uma estratégia compreensível, especialmente para quem ocupa o Governo e tenta transformar estabilidade administrativa em vantagem eleitoral. O problema é que eleição não acontece apenas nos tribunais, nos gabinetes ou nas notas distribuídas à imprensa. Enquanto o grupo governista discutia a postagem do adversário, o adversário já estava em outra cidade apertando mãos, ouvindo reclamações e pedindo votos.

Emanuel Cacho conquistou o espaço mais nobre do dia ao participar da entrevista ao vivo do SE2. Falou sobre a renúncia de Suely Barreto, defendeu a duplicação de rodovias, prometeu reorganizar o transporte entre o interior e a capital e apresentou sua candidatura como alternativa aos grupos que dominaram a política sergipana. Cacho demonstrou coragem para enfrentar perguntas incômodas, mas sua entrevista deixou a impressão de um arquiteto que apresentou uma bela fachada e esqueceu a planta da casa. Disse onde pretende chegar, porém explicou pouco sobre custos, prazos e fontes de recursos. Dr. Helton, por sua vez, manteve a coerência ao participar de um ato dos professores, conceder entrevista e percorrer a Aruana. Falou para o público que já reconhece suas bandeiras, embora ainda precise atravessar a fronteira sindical para dialogar com o eleitorado inteiro.


Ricardo Marques dedicou o dia às gravações, reuniões de campanha e encontros com lideranças. Foi uma agenda útil para organizar o discurso, mas tímida para quem precisa crescer rapidamente. Campanha eleitoral também exige preparação, porém o eleitor não costuma votar em reunião da qual não participou. Taty Cristina não informou compromissos públicos e permaneceu praticamente fora do radar, aguardando a entrevista no SE2 para tentar mostrar que sua candidatura existe além do registro eleitoral. Em uma eleição comprimida, cada dia silencioso custa caro. O relógio da campanha não aceita justificativa, pedido de prazo nem declaração de que a agenda será divulgada posteriormente.

No balanço geral, Valmir Francisquinho terminou as últimas 24 horas com a campanha mais presente territorialmente. Começou discutindo transporte público no Terminal do Mercado e encerrou percorrendo municípios do Agreste. Não precisou anunciar que estava próximo do povo porque preferiu estar fisicamente onde o povo estava. Isso não elimina questionamentos jurídicos nem dispensa a obrigação de explicar como financiará suas propostas, mas demonstra uma compreensão básica que alguns adversários ainda parecem estudar no manual: campanha se faz com projeto, comunicação e sola de sapato. Fábio preservou sua estrutura, Cacho conquistou a televisão, Helton manteve sua coerência, Ricardo trabalhou nos bastidores e Taty aguardou sua oportunidade. Francisquinho fez algo mais simples e, justamente por isso, politicamente eficiente: pegou a estrada.




