A primeira etapa do Complexo Viário Senadora Maria do Carmo Alves foi entregue em Aracaju com liberação do viaduto no cruzamento das avenidas Tancredo Neves e Beira Mar. A obra é importante, melhora a mobilidade, mexe com o trânsito da capital e deveria ser o centro da conversa pública. Mas, como em Sergipe até corte de fita vira campeonato de indireta, parte do debate saiu do asfalto e foi parar na cadeira vazia da prefeita Emília Corrêa. A pergunta feita por ela é certeira: o que era mais importante naquele momento, a obra ou a ausência da prefeita? Porque, se a obra era tão grande, transformar a agenda de Emília no prato principal parece aquela velha mania política de discutir o guardanapo enquanto o almoço está na mesa.
Emília explicou que recebeu o convite, tinha choque de agenda e foi representada pelo secretário Thyago Silva. Isso é absolutamente republicano. Prefeito, governador, ministro e presidente têm agenda, deslocamento, compromisso simultâneo e, quando não podem comparecer, mandam representante. Não é crime, não é escândalo, não é terremoto institucional. Aliás, a Prefeitura participou oficialmente do ato, com representante presente ao lado de autoridades estaduais e da sociedade civil. Então, convenhamos: se presença por representação vale para uns, também precisa valer para outros. Ou agora inventaram a etiqueta política seletiva, em que o protocolo só funciona quando favorece o palanque certo?
A própria prefeita elogiou a obra, destacou sua importância para a mobilidade urbana e prestou homenagem à memória de Maria do Carmo Alves, classificando o complexo como símbolo de avanço e respeito à trajetória de uma grande mulher pública. Ou seja, Emília não sabotou a obra, não desdenhou da entrega, não ficou em casa contando azulejo. Estava trabalhando fora de Aracaju e mandou representante. O que houve foi simples: tentaram transformar uma ausência justificada em novela política de baixo orçamento. É aquela velha arte sergipana de fazer tempestade em copo d’água, quando às vezes nem água tem na torneira para encher o copo.
No fim, cada um precisa cuidar do seu quadrado e trabalhar pelo povo. Fábio Mitidieri governa Sergipe, Emília Corrêa administra Aracaju, e o cidadão quer obra funcionando, trânsito melhorando, cidade andando e menos picuinha fabricada em laboratório de rede social. A entrega do viaduto deveria ser notícia pela relevância da obra, pelos transtornos que a população enfrentou durante a execução e pelo impacto que terá na mobilidade. Mas preferiram discutir cadeira vazia, como se Aracaju fosse resolver seus problemas com presença em solenidade. Menos teatro, mais trabalho. A Sergipe não precisa de guerra de agenda. Precisa de resultado.




