Fábio Reis entra na pré-campanha com aquilo que muito deputado sonha: mandato, sobrenome forte, base política em Lagarto, quase 75 mil votos na última eleição e mais de R$ 40 milhões em emendas autorizadas para Sergipe. Tem número, tem recurso, tem estrutura e tem história. O problema é que política não vive apenas de planilha, empenho e gabinete refrigerado. O eleitor quer ver, ouvir, tocar, cobrar e sentir presença. E, nesse ponto, Fábio parece estar jogando a reeleição no modo econômico, como quem tem um carro potente, mas insiste em andar de freio de mão puxado.
Enquanto isso, Sérgio Reis aparece como quem entendeu melhor o relógio político. Está nos encontros, nas conversas, nas composições, nas visitas e nas articulações. Faz política com sola de sapato, café quente e abraço no interior. Sem muito barulho artificial, ocupa espaço. Já Fábio, embora tenha mandato e entrega para mostrar, passa a impressão de que ainda espera a campanha bater na porta para começar a andar. Só que política tem uma regra cruel: quem demora demais para entrar no jogo pode descobrir que a bola já está no pé de outro.
É evidente que Fábio não está parado. Vota, articula emendas, ajuda municípios e tem atuação institucional. Mas isso, sozinho, não emociona ninguém. Emenda é importante, mas não conta história sozinha. Recurso pago não sobe no palanque, não grava vídeo, não atravessa feira livre e não explica ao eleitor quem colocou aquele dinheiro ali. Falta transformar trabalho em narrativa. Falta mostrar presença. Falta aparecer como protagonista, não apenas como nome forte esperando a tradição familiar resolver a eleição no automático.
O risco é simples: Fábio tem capital político, mas está deixando o protagonismo escorrer pelos dedos. Enquanto Sérgio se movimenta e ocupa o tabuleiro, Fábio parece excessivamente discreto para quem vai enfrentar uma eleição dura, cara e cheia de gente faminta por espaço. Liderança inicial não é cadeira cativa. Voto não é herança guardada em cartório. A eleição de 2026 vai cobrar rua, agenda, discurso, presença e repetição. E quem não aparece vira lembrança simpática, não prioridade eleitoral.
Fábio Reis precisa ligar o ponto de andar. Tem mandato, tem votos, tem emendas e tem base. Mas precisa sair do gabinete político e colocar o corpo na estrada. Porque, do jeito que está, Sérgio parece fazer política em tempo real, enquanto Fábio ainda parece esperando o despertador da reeleição tocar. Em política, quem tem caneta cheia precisa também ter sapato gasto. Caso contrário, corre o risco de descobrir que a urna não premia apenas quem trabalhou, mas quem soube mostrar ao povo que trabalhou.




