PUBLICIDADE

Sergipe no espelho do desgoverno

O sergipano viu, na passagem de Lula por Sergipe, um retrato cruel do governo federal: promessa no microfone, plateia murcha, conta de luz subindo e Brasília torrando dinheiro público em evento de luxo fora do país. O governo veio vender futuro, falar de Petrobras, Fafen, saúde e desenvolvimento. Mas a imagem que ficou foi outra: evento esvaziado, militância descontrolada, vaia contra Laércio Oliveira e um presidente tentando transformar palanque oficial em espetáculo de resistência. Só faltou avisar ao povo quando a promessa vira obra, quando o emprego chega e quando o discurso deixa de ser fumaça.

O único momento minimamente republicano da visita foi quando Lula chamou a atenção dos próprios companheiros pelas vaias contra Laércio Oliveira na Fafen. A militância confundiu evento institucional com reunião de diretório e tentou expulsar no grito quem não veste a camisa vermelha. Lula, ali, acertou ao pedir respeito. Mas o episódio mostrou o DNA do governo: fala em democracia, mas a plateia vaia adversário; fala em união, mas trata divergência como pecado; fala em institucionalidade, mas governa com cheiro permanente de comício.

A frase sobre PCC e Comando Vermelho foi o desastre nacional da semana. Ao lamentar que “nossos criminosos” fossem tratados como terroristas pelos Estados Unidos, Lula entregou à oposição uma manchete pronta e ao Brasil uma vergonha diplomática. Enquanto facções dominam comunidades, aterrorizam famílias, mandam em presídios, controlam rotas de droga e desafiam o Estado, o presidente pareceu mais preocupado com a etiqueta internacional dos criminosos do que com o medo do cidadão comum. O povo quer segurança. O governo entrega malabarismo verbal.

Na energia, o desastre vem pela tomada. Estudos apontam quase R$ 1 trilhão em custos adicionais para a conta de luz até 2050, resultado de decisões políticas, subsídios, improvisos e desordem no setor elétrico. É o governo federal transformando o interruptor em carnê. O trabalhador acende a lâmpada e paga junto a incompetência, o populismo tarifário e a falta de planejamento. Em Sergipe, onde o calor já castiga, o cidadão agora corre o risco de suar duas vezes: uma pelo clima, outra quando abrir a fatura.

Enquanto isso, Brasília arruma mala para Lisboa. Servidores, autoridades e figurões embarcam para o Fórum de Lisboa, o famoso Gilmarpalooza, com dinheiro público bancando parte da farra institucional. É o Brasil em sua forma mais debochada: o povo paga luz cara, imposto alto e comida cara, enquanto a elite estatal discute democracia em Portugal com diária, passagem e pose acadêmica. Para o trabalhador, aperto. Para o andar de cima, simpósio com vista para o bacalhau.

E ainda veio a insistência na indicação de Jorge Messias ao STF, como se o país não tivesse problemas mais urgentes. Lula olha para a crise da segurança, para a conta de luz, para o rombo público, para o desgaste nas ruas e responde com mais aparelhamento político. Sergipe precisa enxergar o quadro completo: o governo promete bilhões, entrega dúvidas, relativiza facção, aumenta o custo da vida, protege sua turma e ainda quer moldar o Supremo ao próprio gosto. A pergunta é direta: o governo Lula está iluminando o futuro do Brasil ou apenas aumentando a conta para manter o palanque aceso?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *