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Blind Date Notícias

Seis ressalvas e 24 cobranças: as contas de Mitidieri sob fiscalização

O governo Fábio Mitidieri encerrou 2025 com um sinal de alerta nas contas públicas. Segundo o Ministério Público de Contas, o resultado primário caiu de R$ 1,68 bilhão para R$ 278,9 milhões, enquanto as despesas cresceram 16,85% e as receitas apenas 6,36%. O Estado cumpriu os limites constitucionais examinados, mas os números exigem explicações. A conta é simples: quando a despesa dispara e a receita não acompanha, alguém precisa explicar como o orçamento continuará de pé.

A segunda ressalva expõe problemas na execução de programas governamentais. Os programas 0001, 0022 e 0044 apresentaram desempenho insuficiente, enquanto indicadores permaneceram sem medição. A implantação da sistemática de controle interno prevista no Programa 0005 registrou execução de 0%. Como demonstrar eficiência administrativa sem medir adequadamente os resultados? Governar exige mais do que anunciar metas: exige verificar se elas saíram do papel.

A terceira ressalva coloca as prioridades orçamentárias sob questionamento. O Fundo da Criança e do Adolescente executou apenas 4,40% de sua dotação; o Fundo do Idoso, 10,27%. Enquanto isso, o MPC registrou R$ 133,9 milhões em eventos festivos e culturais e R$ 24,7 milhões em publicidade. São despesas de naturezas distintas, mas o contraste merece explicações. O governo precisa demonstrar porque recursos previstos para políticas sociais tiveram execução tão limitada.

Na saúde, a quarta ressalva registra a ausência do parecer conclusivo do Conselho Estadual de Saúde na prestação de contas. Não se trata apenas de uma formalidade: o documento integra o controle social dos gastos públicos. O MPC também recomenda atenção à saúde mental infantojuvenil e à organização da atenção primária. Cumprir o percentual constitucional de investimento é importante, mas não substitui transparência, fiscalização e resultados para os pacientes.

A quinta ressalva envolve a transparência dos incentivos fiscais. A LDO estimou R$ 1,228 bilhão em renúncias de ICMS, mas a documentação não demonstrou adequadamente os valores efetivamente usufruídos nem seus resultados. A cobrança é objetiva: quais setores receberam os benefícios, quanto foi utilizado e quais empregos ou investimentos foram gerados? Incentivos fiscais podem estimular a economia, mas seus custos e resultados precisam ser conhecidos.

A sexta ressalva revela a persistência de pendências anteriores. Recomendações referentes às contas de 2024 foram atendidas apenas parcialmente ou de maneira genérica, inclusive sem o plano de ação exigido para programas de baixa execução. O MPC propôs aprovação com ressalvas, não rejeição, e o julgamento definitivo ainda está pendente. Agora, a cobrança ao governo é apresentar respostas às 24 recomendações, identificar responsáveis, estabelecer prazos e comprovar as correções. O que não foi resolvido em 2024 não deveria continuar sem resposta em 2025.

Operação Orange sacode Laranjeiras. O Ministério Público de Sergipe cumpriu seis mandados de busca e apreensão em Aracaju e Laranjeiras, numa investigação sobre possíveis crimes de peculato e associação criminosa. Entre os investigados estão um vereador, um advogado e outra pessoa. Houve apreensão de dinheiro, mas ainda não existe condenação. Agora, a população quer saber o que as provas revelarão. Na política, a laranja costuma ser fruta inofensiva; numa operação policial, ganha outro significado.

TRE mantém multas de R$ 10 mil. A Justiça Eleitoral sergipana confirmou condenações por propaganda irregular com conteúdo de intolerância religiosa na internet. Deny Magalhães e Thiago Campos Barreto receberam multas individuais de R$ 10 mil. Segundo o Tribunal, provas digitais relacionaram os representados a um perfil clandestino que publicou conteúdo discriminatório sobre familiares de Fábio Mitidieri. O caso reforça que crítica política não autoriza preconceito religioso.

André David fica na Polícia Civil. A Secretaria da Segurança Pública negou o pedido da prefeita Emília Corrêa para disponibilizar o delegado André David à administração municipal, segundo notícia divulgada pela Infonet. A decisão recoloca em discussão o aproveitamento de policiais experientes em funções operacionais e administrativas. A questão essencial é identificar onde sua atuação melhor atende ao interesse público. Delegado não é peça de decoração institucional, mas sua lotação exige critérios de gestão, não apenas disputa política.

Poxim acende alerta hídrico. O Governo de Sergipe declarou situação de alerta para a barragem do Poxim, cujo reservatório chegou a 28,6% do volume útil, abaixo do limite de 30%. A medida exige acompanhamento da situação e providências de gestão da água. O percentual merece atenção porque abastecimento não se improvisa quando o reservatório já está comprometido. A natureza manda seus avisos; a administração pública precisa saber interpretá-los antes de a torneira responder.

Rodrigo Cavalcante assume Defensoria. A posse de Rodrigo Cavalcante como defensor público-geral de Sergipe está prevista para novembro, em cerimônia conduzida pelo Conselho Superior da instituição. A mudança coloca em evidência o papel da Defensoria na garantia de acesso à Justiça. O desafio não termina na solenidade: a população mais vulnerável precisa encontrar atendimento, orientação e defesa efetiva. Cargo público ganha fotografia na posse; sua importância aparece no serviço prestado depois dela.

Lagarto cobra esclarecimentos. Um suspeito da morte de uma mulher encontrada com ferimentos provocados por faca em Lagarto morreu após confronto com policiais, segundo informações divulgadas pela imprensa local. O episódio envolve a apuração de um homicídio e das circunstâncias da abordagem policial. São fatos que exigem investigação rigorosa, sem transformar versões preliminares em sentença. A vítima merece justiça, e a sociedade merece conhecer os resultados da apuração.

MPT apura ameaças trabalhistas. O Ministério Público do Trabalho investiga a denúncia de que uma empresária teria ameaçado funcionárias após mudanças relacionadas ao fim da escala 6×1. A investigação, noticiada pela Infonet, coloca em pauta a liberdade dos empregados e os limites do poder patronal. Relações de trabalho precisam respeitar a legislação e a dignidade profissional. O local de trabalho não pode funcionar como território onde a vontade do empregador substitui os direitos de quem recebe salário.

OAB transforma bordado em denúncia. A OAB Sergipe abriu espaço para a exposição Colcha-Denúncia Mulheres Vivas, composta por 111 retalhos vermelhos com os nomes de 181 vítimas de feminicídio. A mostra permanecerá aberta à visitação por 15 dias. A iniciativa da Comissão de Defesa do Direito da Mulher transforma memória e indignação em conscientização pública. Há histórias que não podem ser arquivadas, muito menos esquecidas.

TJSE aproxima crianças da Justiça. O Tribunal de Justiça divulgou a visita de crianças ao Memorial do Judiciário, numa atividade voltada ao conhecimento da história institucional. A proposta apresenta às novas gerações documentos, personagens e acontecimentos que ajudaram a construir a Justiça sergipana. É uma aproximação importante, sobretudo porque o Judiciário costuma ser mais conhecido por suas decisões do que por sua história. Conhecer a instituição também ajuda a compreender o que se pode exigir dela.

MPSE aposta no diálogo. O Ministério Público anunciou para 26 de outubro o VII Seminário da COAPAZ, dedicado ao diálogo em conflitos internacionais e às possibilidades de autocomposição. A atividade será realizada em parceria com a Escola Superior do Ministério Público. Discutir soluções pacíficas pode parecer distante da rotina sergipana, mas a capacidade de administrar conflitos interessa tanto às relações internacionais quanto às comunidades locais.

Outubro Branco ganha atenção. A Assembleia Legislativa destacou a Lei nº 9.646/2025, de autoria da deputada Dra. Lidiane Lucena, que instituiu o Outubro Branco no calendário estadual. A iniciativa valoriza a medicina e estimula o debate sobre as condições de trabalho dos profissionais. Reconhecimento é importante, mas os problemas da saúde pública também exigem medidas concretas. Homenagem não substitui estrutura, embora possa ajudar a colocar o assunto na agenda.

TRE prepara as urnas. O cronograma oficial do Tribunal Regional Eleitoral prevê procedimentos de preparação das urnas eletrônicas também nesta terça-feira, 20, para o segundo turno. As atividades seguem regras de segurança e fiscalização. A preparação é parte fundamental do processo eleitoral, muito além do momento em que o cidadão aperta o botão de confirmação. A confiança nas eleições exige procedimentos verificáveis, publicidade e informação correta.

Pré-Caju mobiliza a segurança. A Secretaria de Segurança Pública participou de reunião de alinhamento para o Pré-Caju 2026. A articulação envolve o planejamento das ações preventivas para um evento que reúne grande circulação de pessoas. A expectativa é de uma operação capaz de garantir tranquilidade a foliões, moradores e trabalhadores. Festa popular precisa de música e alegria, mas planejamento de segurança não pode ficar para quando o primeiro trio elétrico entrar na avenida.

UFS amplia atendimento animal. A Universidade Federal de Sergipe iniciou atendimento veterinário gratuito para cavalos, conforme divulgado nesta terça-feira. A iniciativa reúne assistência e atenção ao bem-estar animal, tema especialmente relevante para trabalhadores que dependem desses animais. A atuação universitária também aproxima o conhecimento técnico das necessidades sociais. Universidade pública cumpre sua função quando o saber ultrapassa os muros do campus.

Educação convoca estudantes. A Secretaria de Estado da Educação anunciou a realização da Tardezinha do Pré-Uni para esta quarta-feira, 21. A atividade integra a preparação de estudantes para os exames de acesso ao ensino superior. O programa mantém na agenda pública a importância do apoio educacional aos candidatos. Preparar jovens para o Enem significa ampliar oportunidades, mas a qualidade desse trabalho precisa ser medida também pelos resultados alcançados.

EmpregAju abre oportunidades. A plataforma municipal de empregos registrou nesta terça-feira novas vagas para gesseiro e estágio em marketing digital, além de outras oportunidades disponíveis. O sistema conecta trabalhadores a empresas parceiras e permite consulta às condições de cada seleção. Num mercado em transformação, a divulgação de vagas é útil, mas qualificação e acesso efetivo às contratações continuam fundamentais. Emprego anunciado é oportunidade; emprego preenchido é resultado.

Nikolas e o bloco eleitoral. O Bloquinho do 22 levou Nikolas Ferreira ao entorno do Iate Clube, na 13 de Julho, e transformou a noite de Aracaju numa reunião de aliados de Flávio Bolsonaro. No palco, discurso; na plateia, candidatos, dirigentes e muita gente interessada na fotografia. Bloco político tem uma vantagem sobre o carnavalesco: o abadá é opcional, mas a disputa por espaço na primeira fila é quase obrigatória.

A foto que não apaga diferenças. Emília Corrêa dividiu o ambiente do ato com Yandra Moura, André Moura e Ricardo Marques, apesar das divergências que atravessam a política local. Isso não significa reconciliação nem acordo futuro. Significa apenas que um palanque nacional consegue reunir gente que, no cenário municipal, dificilmente sentaria à mesma mesa para escolher o cardápio. A câmera aproxima; a política decide depois se mantém a distância.

Luizão testa o comando. À frente do PL sergipano, Luizão Donatrampi teve no encontro uma vitrine para demonstrar capacidade de organização. Aliados participaram da mobilização e a legenda aproveitou a ocasião para exibir unidade. A prova verdadeira, porém, vem depois do som desligado: administrar correntes, decidir candidaturas e manter todo mundo conversando. Na política partidária, organizar uma festa é relativamente simples; difícil é fazer a família sair dela sem discutir a herança.

Mitidieri guarda as canetas. Com a eleição estadual encerrada, Fábio Mitidieri mantém para depois do segundo turno presidencial as conversas mais decisivas sobre seu futuro secretariado. Os aliados observam a agenda e os espaços ainda indefinidos. Nada de lista oficial, por enquanto. No governo, a caneta que nomeia pesa poucos gramas, mas faz muito gabinete desenvolver insônia. Até a publicação de atos, expectativa continua sendo expectativa.

Jeferson entra na conversa. O vice-governador eleito Jeferson Andrade aparece no debate sobre a reorganização política do PSD e o futuro do governo. Katarina Feitoza defendeu que lideranças da legenda participem das decisões coletivas. Isso não equivale a anunciar conflito ou disputa interna. Mas, num partido com muitas ambições e poucas cadeiras de chefia, pedir conversa coletiva é sempre uma forma elegante de lembrar que ninguém governa o grupo com uma agenda particular.

Zezinho e o efeito dominó. A possibilidade de Zezinho Sobral retornar à Secretaria da Educação depois da posse na Assembleia movimenta a conversa sobre a suplência de Venâncio Fonseca. Por enquanto, trata-se de uma articulação não formalizada. A matemática política é fascinante: uma nomeação no Executivo pode alterar o plenário sem mexer em uma única urna. O cidadão, contudo, quer saber se a dança de cadeiras virá acompanhada de resultados na escola.

Cláudio entre dois endereços. Também se comenta a possibilidade de Cláudio Mitidieri voltar à Secretaria da Saúde após assumir o mandato federal, abrindo caminho para Marcos Santana na Câmara. Nada disso substitui decreto ou ato de posse. O arranjo teria consequências importantes para a representação de Sergipe em Brasília e para a gestão hospitalar. Entre o gabinete em Brasília e a secretaria em Aracaju, o que precisa viajar primeiro é a responsabilidade com o serviço público.

Rogério e a fidelidade das alianças. Rogério Carvalho questionou o alinhamento de André Moura à candidatura de Flávio Bolsonaro, reacendendo uma velha discussão: até onde vão as alianças estaduais quando começa a disputa nacional? A crítica é política, não sentença sobre o eleitor. Em Sergipe, o acordo local pode dividir espaço com preferências presidenciais diferentes. É a famosa fotografia de família em que todos sorriem, desde que ninguém peça para explicar o voto.

Alese calcula os suplentes. A eventual ida de deputados eleitos para secretarias poderá mudar a composição da Assembleia Legislativa, inclusive com a possível entrada de suplentes. Por ora, os nomes circulam em conversas, sem confirmação de todos os movimentos. É legítimo montar equipe de governo; também é legítimo exigir clareza sobre quem representará o eleitor no parlamento. Voto não é cadeira musical: quem entra precisa prestar contas do mandato que passa a exercer.

Areia Branca sem votação. A eleição da Mesa Diretora da Câmara de Areia Branca foi adiada por falta de quórum, conforme a notícia sobre a sessão. Sem vereadores suficientes, não há votação válida, e a definição fica para outro momento. Pode parecer um detalhe burocrático, mas revela como presença também é ferramenta política. Na eleição da Mesa, às vezes o gesto mais comentado não é levantar a mão para votar: é deixar a cadeira vazia.

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