A Barragem do Poxim chegou a 19 de outubro com apenas 28,6% do volume útil, contra 88% um ano antes. A Portaria nº 43/2026 colocou o reservatório em alerta. O governo Fábio Mitidieri reconhece o problema, mas ainda precisa apresentar à população, com dados e prazos, a alternativa para uma eventual piora. A queda não aconteceu numa madrugada. Se o nível vinha sendo acompanhado desde julho, por que o plano de contingência não foi divulgado antes de a barragem entrar na zona crítica?
A estiagem e a evaporação ajudam a explicar a redução; não explicam a ausência de respostas públicas detalhadas. A Semac informa monitoramento diário, reuniões quinzenais e fiscalização de captações irregulares. Tudo necessário, mas reunião não enche reservatório e boletim técnico não substitui planejamento. Onde estão as projeções de consumo, os gatilhos para medidas emergenciais e os cenários para abastecer a população se o Poxim continuar baixando? Governar não é esperar a próxima chuva com um calendário de reuniões na mão.
O próprio Estado aponta a Deso na captação, a Iguá na distribuição e a Adutora do São Francisco como responsável por cerca de 70% da água destinada a Aracaju. Então a pergunta é objetiva: quem coordena o plano integrado? Há capacidade comprovada para compensar uma perda maior no Poxim? Quanto custaria e em quanto tempo seria possível agir? Sem respostas, a divisão de tarefas corre o risco de virar divisão de desculpas. E as interrupções recentes divulgadas pela Iguá, embora não comprovadamente ligadas à barragem, reforçam a necessidade de informação precisa.
Fábio Mitidieri precisa sair do discurso de acompanhamento e entrar na prestação de contas: publicar os relatórios, as medidas adotadas desde julho, os responsáveis e, sobretudo, o plano alternativo, se existe. Não há confirmação de racionamento decretado, e alarmismo não resolve escassez. Mas tranquilidade também não se fabrica por nota oficial. Quando a água cai a 28,6%, o governo não pode oferecer transparência na mesma proporção. O cidadão quer uma resposta antes que a pergunta chegue pela torneira.




