Breno Garibalde é hoje um daqueles personagens curiosos da política sergipana. Jovem, articulado, arquiteto, urbanista, defensor do meio ambiente, ciclovia, ecobarreira, mobilidade urbana e tudo aquilo que faz a classe média intelectualizada de Aracaju abrir sorriso no Instagram. Está no segundo mandato como vereador da capital e foi reeleito com mais de 7 mil votos. Nas redes sociais, Breno parece viver numa Aracaju quase europeia, onde todo mundo anda de bicicleta, separa lixo reciclável e debate urbanismo tomando café orgânico. O problema é que a política real de Sergipe não cabe inteira dentro de feed harmonizado.
E aí começa o estranhamento que parte do eleitor sente. Porque Breno construiu uma imagem pública de político progressista, moderno, ambientalista e quase alternativo. Mas, na prática política, muita gente não consegue entender exatamente onde ele se posiciona. Tem eleitor de esquerda que olha para Breno e vê um vereador de centro direita fantasiado de ecologia urbana. Tem eleitor de direita que olha para ele e vê um jovem progressista querendo agradar todo mundo ao mesmo tempo. E na política, quando o eleitor não entende claramente quem você é, a rejeição começa a aparecer igual infiltração silenciosa em apartamento novo.
O curioso é que Breno herdou de Garibalde Mendonça justamente aquilo que mais falta hoje em parte da nova geração política. Trato fino, habilidade pessoal e respeito nos bastidores. Garibalde pai é daqueles políticos antigos que conseguem conversar com adversário sem transformar almoço em guerra civil. Foi deputado estadual diversas vezes, disputou prefeitura de Aracaju, tem trajetória consolidada e carrega fama de gentleman da política sergipana. É respeitado até por quem discorda dele. E talvez aí esteja o maior peso sobre Breno. A comparação inevitável.
Porque Breno fala bem, sorri bem, interage bem, grava vídeo bem, passeia de bicicleta bem e posa muito bem para a câmera. O homem parece ter sido criado dentro de uma consultoria de marketing político sustentável. Só que política não é só estética urbana e legenda criativa no Instagram. O eleitor quer coerência entre discurso e prática. E parte das críticas que Breno recebe vem justamente daí. Quando aparece ao lado de grupos políticos tradicionais ou de figuras mais conservadoras, muita gente sente que o discurso ambientalista perde um pouco da pureza “orgânica” vendida na internet. É como se o eleitor comprasse um café gourmet e descobrisse no fundo que ele veio misturado com café de repartição.
Mesmo assim, Breno continua sendo um nome promissor da política aracajuana. Tem preparo, comunicação moderna e sabe ocupar espaço público como poucos da nova geração. Mas talvez precise decidir melhor qual personagem quer fortalecer. O ativista urbano das redes ou o político tradicional que aprende rápido a sobreviver nos bastidores sergipanos. Porque o eleitor aceita mudança de partido, aceita composição, aceita aliança. O que ele não aceita bem é a sensação de ter comprado uma coisa e recebido outra na entrega.




